Os dois lados

Nos últimos dias estivemos diante de um dos cenários mais confusos, preocupantes e perigosos da pandemia de coronavírus. O governo tentando ajudar a população necessitada com o auxílio emergencial. O calendário para o saque dividiu os beneficiados por mês de nascimento durante pouco mais de uma semana. E enquanto pedem incessantemente para que sejam evitadas as aglomerações de qualquer natureza, o próprio governo provocou uma: imensas filas em diversas cidades, sem organização, distanciamento ou até mesmo o uso de máscaras de proteção.

Foi possível perceber o quanto as pessoas estão precisando dessa ajuda. O quanto se arriscaram pelos R$ 600 reais disponibilizados pelo governo, sem serem assistidas e auxiliadas para que esse processo fosse feito com a devida segurança. Em algumas cidades, prefeitos ajudaram para que houvesse alguma organização. Em São Roque a GCM fiscalizou tais problemas. Mas foram muitos dias de filas e exposição de vidas.

Nesta sexta, 8, o governador João Dória vai anunciar as medidas do Plano São Paulo, que deve flexibilizar a quarentena em algumas cidades, mas tem reforçado por muitas vezes que se as taxas de isolamento continuarem abaixo de 50% a quarentena permanecerá.

Comerciantes e empresários já estão sacrificando tudo o que tem e o que não tem. Pais e mães de família estão tendo seus salários reduzidos ou até os contratos suspensos. Empregos estão por um fio. Empresas estão por um fio. E ao mesmo tempo, todas as vidas estão por um fio a mercê do coronavírus.

Após semanas de confinamento e portas fechadas, as mortes e os casos continuam a aumentar. Como encontrar o equilíbrio para que possamos sobreviver, ter o sustento e a economia vivas, e ao mesmo tempo proteger as vidas desse vírus? Uma pergunta difícil de responder, mas que tem muita pressa. A fome tem pressa, as necessidades básicas também. Vamos ter que aprender uma forma de enfrentar essa doença sem que o mundo inteiro “quebre” de vez.