Paralisação deu prejuízos e gerou escassez de produtos na região | O Democrata

O presidente da Associação Comercial de São Roque, Antonio Di Girolamo afirmou que o comércio acompanha com “preocupação” a decisão dos rodoviários de decretar greve. Antônio informou queda de 60% nas vendas do comércio da cidade com a paralisação dos caminhoneiros. A greve dos rodoviários tem como objetivo buscar o reajuste salarial de 7% e de 20% no vale-refeição, além de melhores condições de trabalho dos profissionais.

“A paralisação trouxe danos operacionais, já que os funcionários estão com dificuldades para chegar ao local de trabalho. Os lojistas vão ter que ter criatividade para lidar com isso. E, infelizmente, a tendência é que, com a greve, venha acontecer também uma diminuição de consumo, devido à dificuldade das pessoas para terem acesso às áreas comerciais. Então, tivemos uma queda nas vendas”, disse a Fabiana Moraes que é gerente de uma loja de roupas no centro de São Roque.

A greve dos caminhoneiros ainda não foi completamente encerrada, mas independentemente da legitimidade das reivindicações, é certo que os bloqueios e desabastecimentos dos últimos 10 dias geraram reflexos a curto, médio e longo prazo na economia da região. Queda no movimento turístico, empresas paradas, e cargas não transportadas são algumas das principais consequências imediatas.

Alguns estabelecimentos do ramo gastronômico também foram afetados pela paralisação dos caminhoneiros. No Roteiro do Vinho, em São Roque, o Restaurante Quinta do Olivardo interrompeu seu funcionamento pela falta de insumos e clientes. A Festa Italiana, promovida pela Associação Ítalo-Brasileira, que ocorreria neste final de semana, também foi cancelada devido a problemas com produtos que seriam usados.

A paralisação esvaziou centrais de abastecimento. Na sequência, alguns supermercados tiveram uma diminuição drástica dos produtos e os consumidores sentiram um baque nos preços. Com caminhões parados, o país se divide entre o desperdício e a escassez. Enquanto produtores jogam fora o que não conseguem transportar, centrais de abastecimento não tem o que vender. O transporte público também precisou reduzir a frota, atendendo somente os horários de pico (entrada e saída dos horários comerciais).

O combustível começou a ser disponibilizado para os carros particulares na tarde de terça-feira, 29, mas houve muita confusão, discussões, imensas filas e muitos motoristas saíram ainda sem abastecer. Em Mairinque, não havia limite de abastecimento e alguns motoristas não conseguiram abastecer, até barricadas com fogo chegaram a ser utilizadas em protestos.

Já em São Roque os postos acordaram o valor máximo para carros de R$ 100 reais vendendo gasolina a uma média de R$ 4,54 e o Departamento de Trânsito, Guarda Municipal e Polícia ajudaram na organização.

Mesmo quando o abastecimento for totalmente retomado nas feiras e supermercados, deve demorar um pouco até os preços voltarem ao normal. Até isto acontecer o agricultor terá prejuízo, pois ele cultivou a batata, tomate, cebola, itens que não foram distribuídos, apodreceram. Então, uma parte desse custo vai vir para o preço ao consumidor, nos próximos dias deve se perceber um aumento no preço desses itens, ao longo do mês de junho, principalmente, exatamente para compensar as perdas que essa greve causou.

A normalização do abastecimento dos supermercados ainda poderá levar de 5 a 10 dias mesmo com o desbloqueio de estradas, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em nota, a entidade informou que ainda não estimou as perdas e prejuízos com a paralisação de caminhoneiros. Como a maioria dos supermercados trabalha com estoque médio de não perecíveis, a falta no abastecimento está concentrada nos perecíveis.

A falta de combustível também afetou a rotina nos estacionamentos. Em três deles, na região central de São Roque, o número de clientes caiu entre 40% e 60% desde ontem. “Os próximos dias devem ser ainda mais fracos. A gente conversa com os poucos clientes que aparecem e eles dizem que já estão quase sem gasolina”, disse o proprietário do estacionamento.

Redução de impostos e suas consequências

A isenção de impostos dos combustíveis vai custar mais de 9 bilhões de reais aos cofres públicos. Para compensar esse rombo, será preciso aumentar outros impostos ou cortar gastos públicos. Segundo a colunista do Globo Miriam Leitão, o próximo governo assumirá tendo de cortar R$ 30 bilhões do orçamento.

Fim da greve

Há muita especulação e nenhuma data concreta para o fim da greve dos caminhoneiros. Outras categorias, como os petroleiros, já anunciaram greve.

Estado de Emergência

São Roque, Mairinque e Araçariguama decretaram situação de emergência no setor público, oferecendo à população somente os serviços básicos durante a semana.

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