Cresce o número de municípios com mais eleitores do que moradores

Cresceu cerca de 60% o número de municípios quem têm mais eleitores do que moradores. O levantamento feito pelo G1 toma por base o cruzamento de dados do IBGE (número de habitantes) e do TSE (número de elitores). Em 2016 eram 308 cidades nessa situação, agora em 2020 são 493.

Apesar do indício de fraude, esses casos podem acontecer pela distinção entre os domicílios eleitoral e civil, o que permite que o eleitor more um uma cidade e vote em outra. A concentração de eleitores em locais com maior atividade econômica e a migração também contribuem para a diferença, segundo a Confederação Nacional dos Municípios.

As prefeituras afirmam que as distorções estão na contagem do
Censo (IBGE) que muitas vezes superestimam a população local. Segundo o G1, o município que apresenta maior diferença é Severiano Melo (RN), que tem 6.482 eleitores e apenas 2.088 habitantes, onde a Prefeitura afirma que existem áreas em disputa territorial com cidades vizinhas.

O TRE de Minas Gerais ressalta que isso é comum em municípios pequenos, com baixa atividade econômica e poucas oportunidades de emprego. De fato, o levantamento mostra que 402 desses municípios onde acontecem as discrepância têm menos de 5 mil habitantes. Apenas 18 possuem mais de 10 mil moradores.

Apesar das muitas denúncias de fraude, os cartórios eleitorais admitem que é muito difícil comprovar esse tipo de situação. O TSE determina que seja feita uma revisão do eleitorado sempre que for constado um número de eleitores 80% maior que de moradores, que o número de transferências de domicílio eleitoral for 10% maior que no ano anterior, e que o eleitorado for superior ao dobro da população entre 10 e 15 anos, somada à maior de 70 anos no município.