Demorou, mas aconteceu!

Corria boato que a prefeitura pretendia levantar empréstimo para alavancar obras no município, porque o atual alcaide estaria cambaleando perante a opinião pública e precisava mostrar serviço, tendo em vista o projeto pessoal de se reeleger nas eleições do ano que vem.

Fofocas, boatos e diz-que-diz são comuns na seara política, e a população tem por hábito dar de ombros tamanho é o manancial de informações desencontradas, até porque quase nunca se sabe onde está a verdade verdadeira.

Pois bem! Nesta semana o combativo vereador Guto, ocupando mais uma vez a tribuna, trouxe a informação de que a atual administração entrou com pedido de empréstimo de 9 milhões de reais junto à câmara municipal, para realizar obras a granel, a menos de um ano das próximas eleições. Se estávamos diante de um boato, agora temos um fato.

O empréstimo, acredite se quiser, tem cláusulas que carregam o lance da esperteza na arte da engenharia financeira, de tal maneira que o vencimento da primeira parcela só ocorra daqui a 13 meses, ou seja, para que o próximo prefeito arque com o compromisso durante todo o mandato, e ainda deixe um enorme rabo para o outro que vier, durante 84 longos meses.

Tem mais! O pedido mais parece um compromisso com o abismo, porque não fala das taxas de contratação, nem dos juros a serem pactuados que, no longo prazo, costumam ser capitalizados o que pode dobrar ou triplicar o valor da importância levantada.

No futuro, é claro, as finanças do município estarão exangues, pois é sabido que só pequena parte do orçamento pode ser utilizada em investimentos, as quais poderão estar comprometidas para pagar a herança que foi deixada.

Se é inocência ou não do atual mandatário, o fato é que ele está a um passo de atropelar a prudência, e levar-nos a um longo voo cego. O cidadão, como sempre, é quem vai pagar a conta. A câmara, se tiver juízo, não deixará acontecer.

Resumo da ópera: o objetivo da proposta é fazer cortesia com o chapéu alheio, para não usar um termo chulo. O Tribunal de Contas, evidentemente, enxerga tais atitudes com holofotes de grande potência

Vale lembrar, que a constituição exige que os agentes públicos demonstrem respeito aos princípios da probidade administrativa.

Se os envolvidos não sabiam, agora sabem!

Roberto Moraes