Por falta de investimento na Cultura de São Roque, Fanfarra Schoenacker corre o risco de acabar

 

O Brasil é admirado por sua diversidade cultural e produção artística. No entanto, o que é produzido em solo nacional é inacessível para uma grande parcela da população, segundo o IBGE (2010), as regiões metropolitanas concentram 41% de todo consumo cultural. Em outras palavras, existe um descompasso entre a oferta dos produtos artísticos e o acesso a eles.

Em São Roque, o problema cultural também é grave, poucas atividades e projetos são desenvolvidos na cidade, e os que existem, correm o risco de serem cancelados ou de se mudarem para outra cidade. Este é o caso da Fanfarra Schoenacker, que passa por dificuldades e corre o risco de ser transferida para outra cidade devido à falta de investimento no projeto. A Fanfarra Schoenacker conta com 45 crianças que participam de competições e festivais, e ao todo, são aproximadamente 100 jovens entre meninas e meninos que fazem parte do projeto.

No ano de 2017 a Fanfarra Schoenacker ganhou diversos festivais e campeonatos, levando o nome de São Roque para as quatro regiões do Estado. A fanfarra sagrou-se campeã do Estado de São Paulo na Categoria Infanto-juvenil, levando os troféus de: 1° lugar Baliza, 1° lugar Pelotão Cívico, 1° lugar Corpo Musical, ganhou o Concurso de Fanfarras e Bandas realizado na cidade de Santa Isabel, Festival de Caieiras e o Estadual de Barra Bonita.

O projeto era mantido pelo programa do Governo Federal ‘Novo Mais Educação’, que repassava o custeio em oito parcelas para o grupo. Mas o programa sofreu mudanças, o projeto a partir de 2018 só poderá ser revertido em escolas onde 50% das crianças sejam pertencentes ao Bolsa Família  e, com isso, o projeto corre o risco de acabar no município de São Roque. Segundo os professores da fanfarra, Willy Santos e Alessandro Sampieri, outras cidades fizeram propostas para levarem o projeto e alavancarem a cultura e o nome dos municípios. “Estamos em conversas com diversas cidades que têm interesse em tocar o projeto, mas isso acarretaria em deixar várias crianças para trás”, disse Willy.

Willy informou que foi até a Prefeitura de São Roque para tentar um acordo, mas o retorno do órgão sempre foi negativo. “Fomos até a prefeitura para tentar uma remuneração aos monitores do projeto, pois só recebíamos uma ajuda de custo. A resposta da prefeitura sempre foi de que eles iriam estudar o assunto, mas até o momento não tivemos nenhum retorno”, desabafou Willy.

Os custos do projeto giram em torno de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês para o pagamento dos monitores de diferentes segmentos, como instrumentos de sopro, instrumentos de percussão, ordem unida e dança. Willy informou que na maioria das vezes tinha que organizar vendas de pasteis para conseguir verba e pagar a manutenção do projeto. “No festival realizado em Caieiras conseguimos apenas um ônibus que foi disponibilizado pela prefeitura, por sinal, um veículo com a janela sem vidro, colocando em risco a integridade das crianças”, comentou Willy.

Em contato com o vereador Guto Issa, o mesmo informou que já entrou com recurso para que a Divisão de Cultura tome providencias em relação à Fanfarra Schoenacker.

“Desde outubro venho tentando junto à prefeitura, a solução deste problema, já falei diversas vezes com o professor Webber, com a Mari Dineri, com o Departamento Jurídico e com o prefeito Cláudio Góes e estou esperando há três meses uma definição deste impasse que não foi resolvido ainda. A ideia que proposta à prefeitura, foi  da criação de uma Fanfarra Municipal, com aulas na Brasital, essa foi nossa alternativa passada para a prefeitura, mas até o momento não chegaram a nenhuma conclusão” disse o vereador.

Não há Turismo sem Cultura

 O cantor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil disse uma vez em seu discurso que não há turismo sem cultura e todo turismo tem impacto na cultura. Ele também afirmou que o segmento cultural é um dos grandes responsáveis pelo crescimento da indústria do turismo. “Toda viagem turística implicaria, em alguma medida, numa parcela de turismo cultural”, afirmou.

Segundo o vereador Guto Issa, cultura não é prioridade para esta administração. “Eu não consigo enxergar uma cidade que tem um projeto turístico sem que haja um projeto cultural em paralelo”, finalizou o vereador.

Para o ex-ministro, a cultura deve permear as diversas dimensões do turismo, deve estar presente na dimensão pedagógica, ao auxiliar na preservação de monumentos públicos, na limpeza das cidades e na valorização dos costumes locais; na dimensão econômica, ao gerar emprego e renda e, na dimensão ambiental, ao avaliar impactos do turismo na natureza. “Todo empreendimento turístico acarreta mudanças socioambientais e culturais na comunidade, às vezes profundas”.

Resposta da Prefeitura de São Roque

Em nota, a prefeitura informou que medidas alternativas estão sendo analisadas para possibilitar  a continuidade do projeto. “Cumpre esclarecer que o Projeto da Fanfarra da EMEF Profª. Maria José Ferraz Schoenacker estava amparado pelo Programa Mais Educação do Governo Federal. O referido programa visava à melhoria da aprendizagem dos estudantes, com a ampliação da jornada escolar de crianças e adolescentes, mediante a complementação da carga horária escolar para implementação de acompanhamento pedagógico obrigatório em língua portuguesa e matemática, bem como desenvolvimento de atividades no campo das artes, cultura, esporte e lazer,  Para aderir ao Novo Mais Educação, programa refeito pelo o atual Governo Federal foi estabelecido recentemente critérios de priorização somente para escolas de ensino fundamental que apresentam baixo rendimento escolar, e que possuem mais de 50% dos estudantes em famílias beneficiárias do Bolsa Família. Nesse sentido, infelizmente o EMEF Profª. Maria José Ferraz Schoenacker não foi contemplado nos requisitos estabelecidos, em especial, porque tem 24% dos estudantes beneficiados pelo Bolsa Família. O projeto de fanfarra desenvolvido pela EMEF Profª. Maria José Ferraz Schoenacker é, reconhecidamente, uma grande conquista dentro do Município e fora dele. Neste sentido, medidas alternativas estão sendo analisadas para possibilitar a continuidade deste projeto. O município busca as formas legais para apoiar uma fanfarra municipal, com o intuito também de preservar o nome. Há voluntários, que possuem enorme interesse em participar da criação de uma fanfarra do município, com observância dos tramites legais para a aquisição de instrumentos musicais, uniformes, viagens e contratação de monitores.”, comentou a prefeitura.