Quando a má índole impera

A pior propaganda televisiva que vi em minha vida, foi a de um jogador de futebol divulgando uma marca de cigarro há muitas décadas passadas (não importa o nome nem a marca), quando ele batia com o maço na altura da sobrancelha, e dizia: ”eu gosto de levar vantagens, certo?”. Essa pessoa sempre disse que se arrependeu amargamente por ter feito isso, pois tem consciência do mal que esse comercial causou à população. Ele tem razão no que disse, pois, é verdade que essa frase ficou gravada no inconsciente das pessoas, pois as mesmas começaram a agir de forma a levar vantagem em tudo, mesmo que de forma prejudicial a terceiros. Parece uma maldição.

Vindo para nossos dias, presenciamos o Governo Federal liberando uma verba para ajudar as pessoas a superarem as dificuldades causadas pela pandemia política do Corona Vírus. O recurso se destinava a socorrer os menos favorecidos, que injustamente se viram sem empregos e com poucos meios para sobreviver. Foi feito um estudo rápido sobre a quantidade de pessoas estimadas nesse problema, e liberada uma quantia justa para esse fim.

Porém, a quantidade de inscritos para receberem o abono foi surpreendente, superando em muito as previsões feitas, e atingindo um número parecido com o da população do país. Um absurdo.

O banco que repassava esse benefício precisava analisar caso por caso, causando atrasos imprevistos, o que causava angústia naqueles que dependiam dessa verba para se alimentar, ou custear despesas emergenciais, tais como a compra de gás, ou a conta de luz. Foi liberado um aplicativo para os correntistas acessarem essa ajuda, mas a quantidade de pessoas que tentavam entrar nele era tão grande, que o sistema travava por excessos de chamadas.

A verdade começava a vir à tona, e mostrava a grande quantidade de pessoas que se cadastraram sem ter direito ao benefício, havendo entre eles desde filhos de políticos, a “filhinhos de papai” que tinham de tudo em suas vidas. O rombo foi grande, pois muitas pessoas sacaram indevidamente esse dinheiro, desequilibrando o sistema criado.

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, disse, em entrevista, que o governo vai tomar todas as medidas para fazer com que as pessoas que receberam o auxílio emergencial indevidamente, devolvam o que foi pago. “Quem pegou o dinheiro indevidamente, pode esperar que nós vamos pegar”, prometeu. Ele reconheceu que houve falhas na distribuição do benefício, mas ressaltou que muita gente já devolveu os recursos. “Já temos R$ 109 milhões devolvidos, 107 mil pessoas já fizeram a devolução”, comemorou.

O que foi feito por essas pessoas de má índole envergonham nosso povo, tão melindrado por “espertalhões” que sempre procuram ganhar ilicitamente, pois para eles, prevalece o maldito pensamento lançado por aquele infeliz comercial: ”eu gosto de levar vantagens, certo?”.

                                       Disney Medeiros Raposo