Quando o fôlego está no final

Quando achamos que as coisas não podem ficar piores do que estão, um novo acontecimento surge para provar o contrário, e assim ocorreu durante todo o ano de 2017, que finalmente está chegando ao fim.
A política se consagrou como um dos piores meios para uma pessoa decente conviver, seja através do seu trabalho, que de alguma forma a vida o colocou lá, ou em decorrência de cargos conquistados através das eleições, aos quais sabemos serem de pouca, ou de nenhuma confiança, dada a quantidade de fraudes que sabemos existir nelas. As surpresas que o povo teve com escândalos que surgiram corriqueiramente tiraram o encanto que ainda lhes restava com lendários políticos, agravando-se com os marqueteiros famosos, que relataram em suas delações premiadas, as verdades dos bastidores que estão ocultas aos olhos da população.

Os acontecimentos desse universo pestilento não param de ocorrer, e o cidadão, impotente perante essa realidade que se degrada a cada dia que se passa, sente o ar lhe faltar. Tornou-se difícil respirar em meio a tanta podridão.

Mas, como diz o dito popular: “desgraça pouca é bobagem”. Temos também o judiciário, cujos ministros, envolvidos em suas togas pretas, aterrorizam a população com suas decisões equivocadas. Parece algo combinado – “um morde e o outro assopra”. O desencontro de opiniões entre eles é algo que já se tornou patético. Certo ministro manda prender alguém, e outro o manda soltar. Ninguém entende ninguém. São miríades de interpretações da lei que constantemente levam ao erro, e com um pouco de observação, podemos ver que existem duas turmas nesse circo: uma do bem e outra do mal.

Sempre entendi que as leis deveriam ser claras e indiscutíveis. O que fizeram com elas? Legisladores formados e financiados por verbas ilícitas cuidaram para que elas fossem palatinamente descaracterizadas, e hoje vivemos em uma “Torre de Babel”. As leis modernas são dúbias, permitindo diversas interpretações, fato esse que mantém os juristas ocupados e dando “cabeçadas entre si”. Para cada lei que incrimina, existe outra que a contesta, e assim vemos os criminosos saírem impunes de seus crimes, graças às “brechas” cuidadosamente criadas para essa finalidade. Estamos subordinados a leis criadas por indivíduos de intenções duvidosas.

Ainda com a respiração presa, o brasileiro assiste às “brincadeiras” desses ministros intocáveis. Como se não bastasse, Gilmar Mendes proibiu a condução coercitiva, que pega o suspeito desprevenido não lhe dando tempo para ocultar provas. Isso comprometerá em muito o trabalho da Operação Lava Jato – da qual
já deu provas de ser seu opositor -, bem como os demais trabalhos policiais. Quem ele quer proteger?

O fôlego acabou. Chega de mais surpresas. Boas festas, e que 2018 traga nossa libertação.

Texto: Disney Medeiros Raposo