Resumindo a aparição do Doria nesta quinta 11/03

O governador do Estado de São Paulo apareceu nesta quinta-feira para anunciar a “fase emergencial” do Plano São Paulo. Ele e seus secretários, coordenadores e apoiadores falaram por duas horas mais para confundir do que para explicar. Depois de causar frio na espinha de vários empresários do setor privado, ele pediu para que não se fale em “lockdown”. Afinal de contas, quase nada mudou.

Fecham igrejas (cultos) e lojas de materiais de construção. Param as atividades esportivas coletivas, resumindo: o futebol. Ele proíbe também aquele “jeitinho brasileiro” de vender e entregar na porta da loja. Só. Tem outros penduricalhos, mas nada de relevante.

Ele orienta as escolas particulares a darem férias, mas não é obrigatório. Pede para que trabalhos administrativos sejam feitos através de home office para os serviços não-essenciais e diz que haverá uma fiscalização mais rígida contra aglomerações. Mas isso já não era assim? Ele também sugere um escalonamento na entrada dos funcionários de serviços, indústrias e comércios.

Ele mostra vídeos com hospitais lotados, fala sobre novas UTI’s e enfermarias que estão sendo construídas, diz que vai entregar mais vacinas e implora para que as pessoas usem máscaras, lavem as mãos e se protejam contra o novo coronavírus. A situação é grave, mas a realidade é que pouca coisa mudou entre ontem e hoje.

Na verdade Doria precisava fazer alguma coisa. Após a ressurreição de Lula para o pleito eleitoral, o político que não é político ficou espremido entre os dois principais postulantes à presidência: Bolsonaro e Lula. O primeiro, dono do poder e do dinheiro federal e o segundo, dono da imagem de “pai dos pobres” que lhe rendeu quatro eleições presidenciais e dois segundos turnos em trinta anos.

João Doria e toda classe política, ou ainda os não-políticos, outsiders, que surgiram como terceira via desde a Operação Lava-Jato precisam se reinventar. Necessitam de uma verdadeira hecatombe para tentar se opor aos dois maiores populistas já vistos no Brasil desde Getúlio Vargas, o último ditador tupiniquim.

A vaidade não permitirá que se unam velhos e novos caciques, resta saber se um vírus, um meteoro ou qualquer outro fator externo pode fazer surgir uma nova força. Doria terá um bom discurso se obtiver resultados com essas ações que deveriam estar salvando vidas.

Rodrigo Boccato