Impactos da Covid-19 na infância

Nosso contexto atual é de muita insegurança, onde nosso mundo conhecido, planejado e esperado deixou de existir. Nosso mundo presumido e futuro presumido foram diretamente impactados e alterados. A pandemia do coronavirus nos fez entrar em contato com uma situação sem precedentes, nos obrigou a rever e mudar toda nossa rotina e realidade. Essa nova e desconhecida “vida” gera insegurança e medo do que estamos vivendo.

É uma experiencia de perdas múltiplas, pois perdeu-se os contatos físicos, ambiente de trabalho, contatos e eventos sociais, academia, encontros familiares e também o ambiente escolar. Se enquanto adultos todas essas mudanças geraram profundos impactos, e as crianças? Onde estão? Como ficam nesse novo cenário?

As crianças perderam muitos aspectos importantes de suas vidas, estão privadas dos encontros familiares, distantes dos avós, dos amigos, das atividades diárias, da rotina escolar, tudo em suas vidas também foi alterado. Muitas crianças estão convivendo integralmente com seus pais, o que traz diversos desafios, visto que estão convivendo com pais assustados, tensos, preocupados, estressados e cansados, gerenciando inúmeros setores da vida. Em contra partida estão aprendendo que esses pais são humanos e reais, que estão se esforçando, cuidando e ensinando seus filhos que também estão tentando entender e descobrir o que essa nova realidade trará. Ninguém deve se cobrar e exigir estar bem em um momento difícil como esse.

Frente a tudo isso, é fundamental não minimizar a capacidade da criança, elas estão atentas a tudo o que está acontecendo, percebem e tentam, dentro de sua capacidade cognitiva, dar conta e construir uma narrativa para o que estão vivendo. Elas estão atentas a tensão, seja vista na TV, seja na rua, seja no uso de máscaras e álcool em gel, elas entendem que algo está acontecendo.

Elas estão sofrendo e muitas sofrendo sozinhas e em silêncio. Com tantos impactos elas podem apresentar sintomas como ansiedade, irritação, estresse, comportamentos regredidos e apresentar alteração no apetite e na qualidade do sono. Diante da ansiedade busque criar uma rotina para tentar organizar minimante o que já está tão desorganizado, isso gera segurança; para comportamentos irritadiços e estressados, a criança precisa se sentir segura e protegida, permita que ela fale sobre o que está sentindo e como está se sentindo. Comportamentos mais infantilizados podem demonstrar a necessidade de colo e proteção, lembre-se que tudo em suas vidas encontra-se desorganizado e muito ameaçado.

A criança também está lidando com muitas perdas! As informações precisam ser claras e precisas. Responder o que foi perguntado, evitar excesso de informações, mas permitir a conversa e o diálogo sempre é o melhor caminho, isso gera segurança, que é o que a criança mais precisa, assim ela acredita que é capaz, potente e com recursos de enfrentamento.

Louisanne A. S. Sanchez

Psicóloga especialista em emergência, perdas e luto

Louisanne1@hotmail.com

Instagram lou.psico