Semáforos inteligentes prometem “descomplicar” o trânsito em São Roque

 

Um acidente ocorrido na última quinta-feira, 29, por volta das 17h, na Avenida Aracaí, deixou um grande engarrafamento pelas ruas de São Roque. Segundo informações dos motoristas no local, diversas ruas e cruzamentos ficaram parados e filas enormes se formaram por quase toda a região central. Os problemas de mobilidade urbana não atingem apenas São Roque. Desde abril de 2015, mais de três mil municípios precisaram ter planos de mobilidade urbana para receberem investimentos do governo federal voltados a projetos no setor. Os planos apontam um conjunto de atividades e orientações para incorporar requisitos essenciais estabelecidos pela Política Nacional de Mobilidade (Lei 12. 587/12) ao plano das cidades.

Segundo o chefe de trânsito de São Roque, Vanderlei Martins Paschoal, diversos estudos e projetos foram elaborados para amenizar os problemas na cidade. “Neste momento estamos estudando ações para melhor os cruzamentos instalando semáforos inteligentes, que conseguirão ter a percepção de qual é a demanda de veículos de cada fase, diminuindo as filas em nossos horários de ‘pico’. Também temos diversos projetos que ainda se encontram em análise e que no momento oportuno serão divulgados para a população”.

Paschoal explica ainda que toda a ação tomada é analisada por um longo período, debatida com outros departamentos pertinentes, passando por um processo de coleta de dados e informações no local. “Precisamos ter a certeza de qual será a melhor ação a ser tomada. Lembrando que em muitos dos casos, não conseguimos atingir a excelência de solucionar o problema em sua totalidade, por várias questões, a principal delas é topografia do município, que apresenta ruas estreitas e uma grande frota de veículos, mas atingindo uma porcentagem positiva, que é o que sempre vem ocorrendo”, disse o chefe de trânsito.

Outro problema enfrentado pelos motoristas da cidade são as pessoas que não respeitam as sinalizações e leis de trânsito como as placas “Pare” e “Dê a preferência”, além das rotatórias, cruzamentos, vagas especiais, faixas de pedestre e etc. “Na saída da escola sempre fico com medo de atravessar a rua, tem muitos carros, caminhões e vans querendo entrar ou passar”, disse a estudante de uma escola próxima à avenida Bernardino de Lucca, em São Roque.

No centro da cidade, as dificuldades também são constantes. Na região da avenida Tiradentes, muitos motoristas não respeitam as leis e ao próximo. “Muitos pais param em vagas proibidas, até mesmo param o trânsito para esperarem ‘alguns minutinhos’, para não precisarem andar alguns metros, nisso, vão se formando filas enormes, pessoas buzinando e xingando. O trânsito já é complicado nos horários de pico e ainda tem pessoas que contribuem para isso”, desabafou Rosângela Silveira, que leva os filhos diariamente a uma escola próxima ao local.

Cada esquina tem suas particularidades, mas todas têm seus embates entre veículos e pedestres. Em um cruzamento, os carros vêm de várias direções. Os pedestres se aventuram no risco da travessia.

“Isso é mais um problema cultural do que de fiscalização, pois não conseguimos prever qual o local e o momento em que o condutor vai cometer a infração, tudo se agrava, pois são infrações em trânsito são cometidas em questão de segundos. O que iremos iniciar são campanhas educativas focadas nestes tipos de infrações para que mesmo longe da presença da fiscalização o condutor respeite as leis de trânsito”, comenta Paschoal. Para o chefe de trânsito acabar com os problemas relacionados ao trânsito seria ideal, mas para quem tem conhecimento técnico e anos de experiência na área, sabe que apesar da ajuda da tecnologia este objetivo ainda está longe de ser atingido. “Estamos trabalhando diariamente para amenizar e priorizar as partes críticas do município, sempre contando com a colaboração de todos, não dependendo apenas do órgão público e muito menos da pessoa em questão”, completou.

Sobre o caso da última quinta-feira, 29, Paschoal acredita ser um fato isolado, que aconteceu em um horário de pico e véspera de feriado. “Tivemos várias coincidências negativas: o acidente ocorreu no horário de pico, em uma véspera de feriado, obstruindo de uma via importante da cidade. Todas as ações que poderiam ser tomadas foram feitas, estávamos com os agentes no local resguardando pelo fato da fiação estar energizada e focando para que fosse retirado o poste o mais rápido possível, que no momento era a ação mais lógica a ser tomada”.

Com relação à sinalização, o chefe de trânsito ressalta não ser possível prever em qual ponto ocorrerá um acidente. “Só podemos tomar uma atitude a partir do momento em que o problema apareça. No mais, quero salientar que a retirada do poste foi feita de maneira rápida e eficaz pela CPFL. Seria preocupante se rotineiramente esse caos citado ocorresse, mais torno a repetir, foi um fato isolado que em 18 anos de experiência com trânsito ou mobilidade urbana nunca presenciei”.

A escala normal de trabalho dos agentes de trânsito é das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira e são montadas escalas extraordinárias uma hora antes da entrada e duas horas após a jornada de trabalho, e também das 7h às 13h aos sábados. Vanderlei informou que sempre que necessário algumas escalas extraordinárias são montadas para atender os diversos eventos da cidade.

Novos hábitos

A baixa eficiência no uso do espaço urbano em transporte, ou seja, a escolha que as pessoas fazem para se deslocar é um dos principais aspectos que impactam a mobilidade. Segundo o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), enquanto uma pessoa, ao caminhar, ocupa 0,8m², ela pode chegar a ocupar 60m², se optar por fazer deslocamento similar em um automóvel particular. A decisão sobre qual transporte usar leva em consideração os fatores segurança, disponibilidade de informação, custo e comodidade, além da disponibilidade e infraestrutura adequada de transporte.