Vidas que não importam

Um assassino que usa as próprias mãos para estrangular a vítima, uma vítima de mais um acidente brutal na rodovia e um vírus que continua seu caminho fazendo vítimas impiedosamente tanto quanto outras doenças e causas naturais.

Em comum a tudo isso, pessoas que farão falta aos familiares, amigos e sociedade. Por trás desses casos, políticas bem ou mal sucedidas e revoltam e nos fazem pensar se a indignação vale à pena ou é apenas um sentimento de alívio momentâneo.

Afinal de contas, quantas vezes um marginal vai tirar a vida da namorada por ciúme, dinheiro ou qualquer motivo torpe que somente uma mente assassina pode compreender? Quem julga o que se passa na cabeça de um assassino? Moro? Lewandowski? Não importa. Após alguns anos na prisão, a “justiça” o deixará em liberdade tanto quanto um goleiro Bruno ou uma Suzane Von Ritchthofen.

Na rodovia Livio Tagliassachi, perdemos nossos companheiros anos a fio e o Governo Estadual simplesmente não tem dinheiro nem para consertar o que está quebrado, quanto mais para desenvolver melhorias. O radar continua arrecadando com suas placas escondidas no meio do mato e a velocidade máxima que muda conforme a conveniência sabe lá Deus de quem. Quantas cruzes serão fincadas e retiradas após o protesto sem que nada mude? Não se sabe.

O vírus mortal que se mostrou não tão mortal ceifa figuras queridas e emblemáticas enquanto as farmacêuticas disputam qual vacina vai vencer o debate. O remédio que funciona e não funciona é ainda motivo de bate-boca. A verdade é que nessa casa o Bolso já não é tão Doria e Doria não quer mais usar o Bolso.

Os fatos estão expostos. Claro que a indignação é grande, mas revolta parece apenas favorecer o sistema. Com o passar dos anos, o que se observa é a dinâmica continua mesma independente dos protestos que vêm e vão. Só a tristeza perdura daqueles que perderam suas vidas em vão.