Vidas que se transformam em números

Nesta semana o Brasil viveu um dos momentos mais marcantes e chocantes da pandemia. Viu mais de 1179 mortes em apenas 24 horas pelo coronavírus. As vidas estão se transformando em números alarmantes e muito tristes. Até esta quinta-feira (21 de maio) o Brasil já contabilizava mais de 293 mil casos de COVID-19, sendo mais de 116 mil recuperados e 18.894 mortos. Isso mesmo. Mais de 18 mil pessoas perderam a vida em pouco mais de 2 meses no nosso país. No mundo já são mais de 328 mil mortes.

Em reportagem publicada pelo UOL nesta semana, alguns números ganharam rostos e nomes. Em um dos destaques “números que viraram tragédias”. Profissionais da Saúde, jornalistas, artistas. Famílias inteiras que choram as perdas de pessoas amadas e queridas. Em um dos relatos da reportagem a última mensagem do enfermeiro de Macapá, Evandro Costa Silva, foi em um grupo de mensagens, pedindo ajuda, horas antes de morrer. “Vou falar aqui até apagar. Não tem como falar no PV (privado) de ninguém. Vou morrer sentado agonizando aqui”, disse em suas mensagens finais.

Sem ministro da Saúde, o Brasil segue na luta. O estado de São Paulo, epicentro da doença no país, já prevê o colapso no sistema de saúde dentro das próximas 3 semanas e começa a contratar leitos particulares para atender a demanda que está por vir.

Em São Roque um erro na divulgação de um exame colocou uma família inteira em risco. Após o resultado negativo anunciado pela Saúde, um homem de 21 anos foi para casa abraçar seu filho e sua esposa, após 7 dias isolado na casa do irmão. Horas mais tarde descobriu que haviam errado: ele estava com o coronavírus. O desespero foi grande para todos. O pesadelo que parecia ter acabado retornou ainda mais grave. Um susto que fez as autoridades locais reverem a forma de divulgar tais resultados.

Entre as guerras políticas, a cloroquina – que ainda não tem comprovada a sua eficácia contra o coronavírus-, as guerras políticas, os erros, o isolamento, a crise financeira, empresas e empregos se perdendo, aumento da violência doméstica em meio à pandemia, colapso na saúde à vista e milhares de vidas sendo enterradas sem mesmo uma despedida, este é o momento (mais do que nunca), para tentarmos frear esse vírus. Ninguém sabe o que será do futuro próximo, nem mesmo os governantes. Estão tentando tomar decisões, mas também estão com medo.

Nossa principal “arma” é ficar em casa, ter contato apenas com as pessoas da própria família, sair somente em caso de necessidade. É preciso ter empatia com as famílias que estão perdendo seus entes. Coloque-se no lugar do outro. Respeite a vida. Não são somente números, são pessoas e histórias.