Danilo, obrigado pela emoção de hoje!

Opa, hoje nós temos uma história intermunicipal. Foi logo após a apresentação do Madrigal Gerações no Festival de Corais da cidade de Vinhedo (SP) que conheci o pianista Danilo Xocolate, 35 anos, que me chapou com um agradecimento sincero e emocionado pela emoção de ouvir o coral naquela noite.

Em poucos minutos ouvi uma pequena parte da sua história e percebi que não poderia ficar com ela só para mim. Primeiro por que tem uma vida cheia de atrativos. Uma delas sem dúvida é que ele poderia ser um guia de turismo. O rapaz viajou foi muito por este “Brasilzão”. Nasceu em Piracicaba, passou por Tocantins, Piracicaba (de novo), Brasília, Paraná, Bahia e afins. Eita! Não consegui anotar nem metade das cidades e estados por onde passou. Tá achando pouco? Não é.

Ora tocando em grupos de pagode ou bandas de bailes e em muitas destas cidades morou na rua. Sim cara pálida! Era uma pessoa em situação de rua. Comia folhas na rua para sobreviver e a noite ia para a escola não importando a cidade onde estava. Foi dessa forma que completou o ensino médio. Mas num desses dias inesquecíveis da vida o jovem Danilo estava em Vitória da Conquista (Bahia) quando parou para assistir o filme “O Pianista”, que tem a trilha sonora baseada na música erudita. Naquele momento decidiu: “Não quero teclado, nem bateria ou outro instrumento. Vou ser pianista erudito”.

Deixou a rua, tudo e todos e voltou para Piracicaba para estudar. Lá encontrou o anjo pianista Samuel Gustilli que reconhecendo o talento do rapaz não só deu 4 anos de aulas graciosamente como o preparou para entrar no Conservatório de Tatuí onde hoje é aluno no curso de piano erudito. Morando com o irmão em Piracicaba e licenciado em música, o Danilo é professor de piano em duas escolas e tem mais de 40 alunos.

Sempre muito emocionado ao ser perguntado resumiu seu momento de vida como simplesmente “muito feliz”. Espantando eu perguntei como era tão simples resumir um momento de vida. Mais direto do que nunca ele me responde: “maestro, quem vive na rua logo aprende uma lição: é impossível disfarçar quem você é por muito tempo. A rua não admite máscaras. Eu podia ser do mal. Mas foi lá que escolhi ser do bem, verdadeiro e feliz”.  Obrigado vida, pelos “Danilos” que tu nos dá e que de alguma forma alimentam nossa esperança de ver nossa gente ainda mais feliz.

Rogério Alves, maestro e produtor cultural