A Festa de São Roque há cem anos no clima da inauguração da Estrada de Rodagem | O Democrata

Vivemos um tempo onde tudo ocorre muito rápido. De repente lá se foi metade do ano, chegaram as Festas de Agosto, daqui a pouco eleições, Copa do Mundo fora de época e acabou mais um ano. Parece que o dia não tem mais 24 horas ainda mais nesses tempos de pandemia que felizmente estamos superando.

Dizem que o melhor da festa é se preparar para festa. É isso que o Arquivo Vivo faz em relação às Festas de Agosto. Preparando o clima e resgatando fatos históricos que somente o centenário arquivo do jornal O Democrata possui.

Em 1922, a festa do padroeiro era em conjunto com a Festa do Divino. Foram festeiros de São Roque o médico Júlio Arantes de Freitas e o juiz de Direito Renato Fulton Silveira Motta e festeiro do Divino, Manoel Martins de Moura.

Na edição de 16 de julho, o jornal publicou: conforme promessa que fizemos em nosso último número, sob o título acima [As festas do Divino e do Padroeiro no corrente ano], passamos a prestar aos nossos leitores as informações sobre as festas.

A primeira informação foi a mudança no frontispício da Igreja da Matriz (fachada principal) após a escolha da “cor cimento”. “Será alterada a data de 1908 para 1922 por se refletir aquela data a última reparação porque passou a nossa Igreja, assim conservando a data de 1838 por ser a reforma do frontispício”.

Divulgava também que a Casa dos Pobres passaria para a Rua 7 de Setembro, 22 em prédio gentilmente cedido por Luiz Villaça.

Na edição seguinte (23 de julho), O Democrata registrou que a capela mor recebeu um quadro do pintor Vasconcellos em que São Roque recebe de joelhos a misteriosa luz divina. “É o Divino a iluminar São Roque”.

INAUGURAÇÃO DA ESTRADA DE RODAGEM SÃO PAULO-SÃO ROQUE

São Roque vivia naqueles dias a expectativa pela inauguração da Estrada de Rodagem (atual Raposo Tavares), em 26 de agosto, com a vinda do presidente Washington Luis (o governador era chamado de presidente) que seria confirmada para 26 de agosto. Lembrando que Washington Luiz chegaria a presidência do Brasil em 1926.

Por esse motivo, o edifício da Câmara Municipal passou por reformas e os vereadores não puderam atender ao pedido dos festeiros para a construção de um coreto de ferro no Largo da Matriz, que dias depois passou a se chamar “Washington Luís” denominação que durou até que o homenageado fosse deposto da presidência por uma junta militar e substituído por Getúlio Vargas. Mas – em 1922 -, os festeiros tiveram que se contentar com um coreto de madeira.

O Democrata também registrou que a Missa do Divino (15 de agosto) foi a primeira celebrada pelo padre são-roquense Roque Pinto de Barros. Foi ordenado no dia 13 na Igreja de Santa Cecília em São Paulo e chegou a São Roque no dia seguinte no trem das 18h10 recebido pelo Padre Antonio Pepe.

Além de “cantar” a primeira missa, houve o ritual de beija-mão, “ao qual tomaram parte todos os fiéis sem distinção de classe ou sexo, pois beijando a mão de um padre ordenado de novo, pela primeira vez, ganham-se muitas indulgências (libertação parcial de pecados)”.

Vander Luiz

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