A pandemia e o impacto ambiental

A natureza vem recebendo agressões constantes do ser humano, que a degrada em todos os sentidos. O homem escava o planeta, removendo importantes materiais do seu subsolo, bem como drena seus lençóis aquíferos, que levaram muito tempo para se formarem. Não se pergunta o que fará no dia em que as reservas acabarem, nem de onde tirará água para suprir suas necessidades. Muitos poços artesianos já secaram, sendo preciso buscar água em maiores profundidades, o que indica que o valioso líquido próximo à superfície está no fim.

Como se não bastasse, polui o mundo com suas ações irresponsáveis. O ar já é irrespirável em muitos lugares, e a chuva se torna ácida devido à grande quantidade de produtos lançados na atmosfera. A produção industrial de itens de consumo diário se transforma em lixos, que são depositados em sua maioria, nos aterros sanitários, ou nos rios que vão desaguar nos oceanos. Em consequência disso, nosso panorama está repleto de produtos industrializados, entre eles, os itens de proteção individual.    

Os ambientalistas avisaram no início da pandemia do Covid-19, que a obrigação do uso global dos equipamentos de proteção – os EPIs – geraria um impacto ambiental profundo, vindo a agravar o estado já existente de poluição, o que realmente está acontecendo.

Teoricamente, uma máscara só deve ser usada por poucas horas, o que faz com que a maioria das pessoas utilizem muitas delas durante o dia. Se forem laváveis, podem ser reaproveitadas, porém, normalmente são utilizadas as descartáveis devido à sua praticidade, o que gera um número assombroso delas nos lixos das cidades, bem como lançadas indevidamente no meio ambiente, sem estarem acomodadas em embalagens apropriadas. Os analistas estimam que cerca de 129 bilhões desse item esteja sendo descartado de alguma forma no mundo.

A situação é preocupante, pois é comum encontramos máscaras e luvas em locais públicos, revelando o desleixo e falta de cidadania de muitas pessoas. Porém, o problema é mundial, e não está restrito ao Brasil, como veremos a seguir.

A rede BBC NEW de Londres, mostrou uma reportagem denunciando o que está ocorrendo com esses produtos de cunho hospitalar pelo mundo. Imagens chocantes mostram que eles estão indo parar nas praias das cidades de diversos países, tais como as Ilhas Soko em Hong Kong, Bósforo na Turquia, Côte D’Azur na França, Londres, e em outros lugares. Mas, o mais impactante, são as cenas que os mergulhadores fizeram no fundo do mar, revelando máscaras enroscadas na vegetação e em pedras no leito oceânico. A poluição marítima que já era grande devido aos plásticos, agora está se agravando com o resultado dessa pandemia de origem suspeita.

A situação formula uma pergunta: o que é mais prejudicial; o vírus, ou a ação do homem para se proteger dele?

Disney Medeiros Raposo