Convivendo com duas verdades

Lembrando uma piada que circulou nas redes sociais: meu celular tem tantas informações sobre o Corona vírus, que agora ele tosse em vez de vibrar. Por mais cômico que isso seja, traz também um grau de preocupação, pois denota que, diante de grande número de informações, muitas delas com certeza se afastam da verdade.

O momento em que vivemos é atípico, pois nunca tivemos tal nível de preocupação com um resfriado. O marketing das epidemias aproveita os acontecimentos para disseminar o terror através da mídia, e já podemos dizer que um novo surto está se propagando mais rápido que o próprio vírus, que é a paranóia. Ela é um processo de pensamento que é fortemente influenciado pela ansiedade ou medo, chegando muitas vezes ao ponto de delírio ou irracionalidade. O pensamento paranóico, geralmente consiste no sentimento de perseguição ou mesmo de conspiração, associado á condição de fragilidade.

As pessoas contaminadas pela grande quantidade de notícias fatídicas em torno do vírus, não mais raciocinam, mas sim, reagem qual um animal acuado, que ataca quem dele se aproxima.

No momento, todos são suspeitos de conterem o Corona vírus, o que faz das relações humanas algo impraticável. Máscaras, confinamento, distanciamento, regras impedindo apertos de mãos e beijos…em breve poderemos estar vivendo dentro de uma bolha de plástico, carregando-a por onde andarmos.

O cidadão, quase sempre conduzido como gado para onde a situação quer levá-lo, se vê diante de duas verdades: uma que o induz ao pânico, devido às notícias incessantes de progressão da gripe, com seus casos de morte, e outra, vindo de uma ala de cientistas, que reconhece a existência da doença, mas que chamam a atenção para outras verdades, questionando muito do que está sendo dito e feito, em decorrência de dados alarmistas.

Nesses dias, podem morrer mil pessoas em decorrência de H1N1, de Sarampo, de Dengue ou das várias doenças em nosso território, sem que nada seja dito, mas, basta morrer uma pessoa portadora do novo Corona, que a bagunça está montada. Os mais céticos questionam: será que todas as mortes anunciadas pelo mundo, foram realmente ocasionadas pelo Corona vírus? E mais, se tivesse chegado antes outro vírus, o resultado não poderia ser o mesmo? Não seria a condição de vida do homem moderno que o tornou frágil às cepas oportunistas, e não o surgimento de ameaças poderosas e imbatíveis?

Seja como for, o estrago está feito. As pessoas se olham desconfiadas, quem esteve em ambientes populosos é discriminado como um cão danado, a solidariedade se tornou impraticável….e o vírus, que está só de passagem, se mostrou mais poderoso que nossas convicções, fazendo com que cada um, salve-se como puder.

Disney Medeiros Raposo