Direito das Mulheres e advocacia para mulheres | O Democrata
Julie Kohlmann – Advogada

Minhas amigas,

Aqui estamos, mais uma vez, para celebrar a vida, o amor e a alegria de poder compartilhar momentos, bons sentimentos e até dores.

Vamos pensar em um caso prático: e quando amor é transformado em dor? Estamos mesmo juntas?

Por amor, emprestamos nosso corpo, nossa saúde; damos o tempo de nossa vida para outra pessoa: nossa filha, nosso filho – que serão partes autônomas e absolutamente distintas de nós mesmas, nossos companheiros.

Eles são nossa aposta visceral no futuro.                                           

No entanto, nossos filhos não são só nossos, minhas amigas.

São filhos de duas pessoas igualmente responsáveis, seja por laços de sangue ou de amor, pelo cuidado e apoio. É óbvio, não?

Nem tanto. Noto que poucas pessoas são capazes de serem corresponsáveis.

A pessoa que faz o papel materno parece ter esforços, dedicação e compromisso muitas vezes silenciados. Seja pelo fato de não trabalhar fora, ou seja, pelo fato de “só cumprir com a obrigação de ser mãe”.

E quando a mãe “falha”? O castigo é implacável.

Nada interessa, não é exagero: seja a condição psíquica, econômica, mesmo familiar – não é incomum termos nossas dificuldades passageiras vistas como defeitos insuperáveis.

Já o pai (em sentido amplo), tem direito à vida social. Tem direito a viajar, espairecer nos finais de semana – mesmo que isso signifique ficar longe dos filhos. Tem direito ao trabalho – mesmo que isso signifique não estar presente. Tem de estudar, se atualizar. Quantas mulheres deixam de estudar para cuidar dos filhos?

Quantas, superados os limites do stress mental e físico, não encontram apoio para se afastar de seus filhos por alguns dias, a bem da saúde mental? Quantas podem contar com o apoio do companheiro para se dedicarem ao trabalho e à carreira, mesmo que isso signifique não fazer o jantar, nem dar banho nas crianças por um bom tempo?

Maternidade e a paternidade são expressões de mundos diferentes.

E isto se reflete no Judiciário.

As justificativas para pais não pagarem por obrigações assumidas, sempre prazerosamente assumidas, giram em torno de seus direitos à liberdade, ao trabalho, à educação, mas mães que pedem mudança no período de convivência com seus filhos porque precisam também trabalhar, estudar, viajar são malvistas.

O comportamento feminino é avaliado segundo critérios morais, que não se confundem com critérios jurídicos – daí a necessidade da prática do direito com perspectiva de gênero.

Então, deixo a pergunta: em que nós, mulheres, colaboramos com a manutenção de “verdades” que nos esmagam? Como estamos educando nossos filhos, como nos referimos a outras mulheres?

Celebremos, como proposto antes, nossos amores, nossa liberdade, nossa vida! Compartilhemos nossas dores, minhas amigas. Elas também nos fazem melhores.

Estamos juntas.

Julie Kohlmann Advogada. Doutoranda em Filosofia do Direito, Mestre em Direito Civil e especialista em Direito Penal. Associada ao Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM – www.juliekohlmann.com.br

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