Dr. Júlio Arantes de Freitas vereador por mais de 40 anos, prefeito de São Roque e “médico dos pobres” | O Democrata

Dr. Júlio faleceu aos 91 anos em 21 de novembro de 1979 e o Jornal O Democrata destacou. O nosso adeus ao Médico dos Pobres”. Dr. Júlio Arantes de Freitas morreu serenamente”

O Plenário da Câmara Municipal de São Roque leva o nome do vereador em uma das mais justas homenagens prestadas pelo legislativo são-roquense ao homem que foi eleito para 11 mandatos entre 1923 a 1976.

Poderia ter ampliado esse número se não fosse o período em que as câmaras municipais foram comandas por Juntas Provisórias e Conselhos Consultivos de 1930 a 1936 nos primeiros anos do presidente Getúlio Vargas (1930/45). Ele foi contrário à Revolução de 1930 que levou Getúlio ao poder.

Em um período em que um dos vereadores ocupava o cargo de prefeito, Dr. Júlio comandou São Roque entre janeiro de 1925 a dezembro de 1927. Foi presidente da Câmara em seis mesas diretoras somando 10 anos de mandato.

Veio para São Roque a convite de Manoel Martins Villaça para fazer frente política ao médico José Brenha Ribeiro que viria a falecer em 1918, vítima da Gripe Espanhola. Inicialmente, em 1916, dr. Júlio foi nomeado inspetor sanitário como registra a revista dos 165 anos da Câmara Municipal de São Roque de 1998. Em 11 de novembro de 1958, recebeu o título de cidadão são-roquense por iniciativa do presidente Niasi Calixto Maluf.

Foi vinhateiro dono do Vinhos Sumaré, no Bairro do Taboão. Incentivou a vinda da Estação Experimental no Bairro do Cambará na década de 20. Em 1957, conseguiu junto ao deputado federal João Batista Ramos, a aprovação do projeto que garantiu a compra do Recinto da Festa do Vinho [Chácara Campos, no Junqueira], em 1957.

Vale a pena transcrever a publicação de O Democrata de 24 de novembro de 1979.

Servem estas palavras para venerar o ilustre e abnegado morto, Doutor Júlio Arantes de Freitas. Ninguém é mais credor do que ele, pelo imenso que fez pelo povo, especialmente o humilde, desta região. Médico devotado, jamais negou assistência a alguém, mormente aos pobres.

Todos conheciam seu desprendimento pelo lucro. Não cobrava de ninguém, e quando queriam ou exigiam pagar, soltava seus conhecidos impropérios. A legião de pobres que recorriam a sua ajuda (até outro dia) era imensa, e ele a todos atendia da mesma maneira.

Moço ainda durante a epidemia “espanhola” [1918], requestado, incansável, percorreu todos os lares são-roquenses, atendendo, dia e noite, os doentes, sempre com o mesmo desprendimento. Não bastava os do município, mas também os de Una (nome antigo de Ibiúna) onde, como o mesmo desvelo socorria a quem precisava dos seus serviços.

Dedicou especial carinho e afeição à Santa Casa de Misericórdia, onde por muito tempo foi o único e generoso médico e, só com o avançar da idade deixou de frequentar o estabelecimento onde veio a falecer.

Hoje, menos conhecido pelas novas gerações, seu nome ainda é um baluarte da solidariedade humana.

O POLÍTICO

Foi o Dr. Júlio, por muitos anos, a mais extraordinária força política eleitoral da região. Seu nome representou durante o período pré-Getúlio, o mais forte expoente eleitoreiro de São Roque e municípios vizinhos. Contava ele com a amizade de presidentes, ministros, governadores, secretários de Estado, magistrados, mas apesar disso, jamais se serviu do seu prestígio, para conseguir sinecuras [empregos ou cargo rendoso que exige pouco trabalho].

Foi prefeito, presidente da Câmara e vereador por várias legislaturas. Por seu intermédio é que foi conseguida a doação da verba necessária para a compra do atual recinto da festa do vinho.

Derrotado pela Revolução de 1930, pouco tempo ficou sem a sua influência política. Já no restabelecimento da ordem democrática, novamente assume ele, o comando político, como a maior força eleitoral do munícipio, elegendo por grande margem de votos, todos os seus candidatos. Seus ardores políticos (que era sua grande paixão) só se arrefeceram em virtude de sua idade. Todavia, merecia ainda grande respeito e acatamento.

Assim com pesar profundo, registramos o passamento do dr. Júlio Arantes de Freitas, cognominado “o médico dos pobres”.

Faleceu serenamente aos 91 anos de idade, sem qualquer mal aparente, mas vítima do princípio e fim normal. Faleceu às 8h15 do dia 21 de novembro último na Santa Casa local e seu corpo foi velado em sua residência por incalculável legião de amigos, admiradores e parentes; e, com grande acompanhamento, sepultado, às 9 horas, no dia 22, no cemitério local, tendo seu esquife, coberto pela Bandeira do Município, sido transportado pelos amigos, como uma última homenagem ao herói que morreu serenamente.

O saudoso extinto era irmão da sra. Maria José de Freitas Malheiros, casada com o sr. Antonio Jacinto dos Santos Malheiros; da sra. Sarah Arantes de Freitas Jardim, viúva do sr. Saul Jardim; era irmão dos saudosos sra. Leonora Arantes de Freitas, solteira, sra. Noemia F. Oliveira, que era casada com o saudoso sr. Silvio de Freitas Oliveira; Pedro Arantes de Freitas, solteiro; sra. Tereza F. Nogueira que era casada como o sr. João Andrade Nogueira; sr. Ismael Arantes de Freitas, solteiro; sra. Helena Arantes F. Rocha, que era casada com o sr. Augusto Gustavo Rocha. Deixa ainda uma filha, Maria Gabriela da Costa Freitas, solteira. Era casado em segunda nupciais com a saudosa sra. Alice Bonini de Freitas. Deixa ainda números parentes.

“O Democrata”, do qual era ele, dr. Júlio Arantes de Freitas, grande e recíproco amigo, pungido rende-lhe a sua modesta, mas sentida homenagem. Adeus, herói tombado!

Às exmas. famílias enlutadas nossos pêsames.

Vander Luiz

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