História do Vinho Brasileiro

Prezados leitores, ao longo das próximas semanas apresentaremos diversos artigos contando a história do vinho brasileiro, desde a chegada dos colonizadores portugueses até o presente momento. Inicialmente, serão resumos históricos para posteriormente aprofundarmos detalhando os marcos mais importantes. Faremos por etapas para as unidades da federação produtoras de vinho, começando pelo Estado de São Paulo, por onde tudo começou.

Carlos Vivi, descendência italiana, 55 anos, graduado em engenharia civil, formado em sommelier pela ABS-SP, ciclismo como esporte e vinho por paixão, dedicando três décadas no estudo da cultura do vinho.

PARTE 1 – HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL COMEÇOU NO ESTADO DE SÃO PAULO

Peroleiras do galeão Santíssimo Sacramento – Foto: Danielle Dias

No ano de 1532 o Almirante Martim Afonso de Souza, acatando as ordens de D. João III; desembarca no Brasil, em São Vicente, com a intenção colonizadora, trazendo agricultores, criadores, mestres de engenhos entre outras funções, tendo como destaque Brás Cubas, natural do Porto, jovem de 25 anos de idade, sendo o primeiro viticultor no Brasil.

Viticultor experiente sabia que a umidade e o calor do litoral não eram as condições ideais para permitir o sucesso da viticultura, partindo para fundar os vinhedos na região de Tatuapé, planalto de Piratininga por volta de 1551, produzindo seus primeiros vinhos. Foi em São Paulo até o final do século XVII que se manteve a vitivinicultura, entrando em decadência durante o ciclo da mineração (ouro), do açúcar, do algodão e mais tarde do café. Mesmo o alvará de D. Maria I de 1785, que tornou vedada as indústrias no Brasil, e conseqüentemente, o plantio da uva e elaboração de vinhos, sendo revogado em 1808 por D. João VI, não teve muito efeito, pois as razões econômicas foram mais relevantes para a dificuldade dos vinhateiros da época.

Até o final do século XVIII o mundo todo só cultivava variedades de uvas vitis-vinífera. Foi somente em 1801 que surgiu a variedade Cape, primeira videira americana, devido aos insucessos que os Estados Unidos tiveram com as vitis-vinífera. A introdução da variedade americana Isabel em São Paulo deu-se entre os anos de 1830 e 1840 através do inglês John Rudge, na fazenda Morumbi, espalhando-se na região periférica da capital, Mogi das Cruzes, Jundiaí, Itatiba, Sorocaba, São Roque, entre outros.

No final do século XIX, a mão de obra do imigrante italiano começa migrar da lavoura cafeeira paulista para viticultura. Neste período, o Dr. Luís Pereira Barreto mostrando grande interesse na viticultura, contribui muito para o desenvolvimento desta cultura, chegando a possuir mais de 400 variedades de videiras, onde realizou as primeiras hibridações de videiras do Brasil, sendo considerado um dos “fundadores” da técnica vitícola brasileira.

“Cidade de São Roque vista da Estação (1870)”. Arquivo Histórico Digital de São Roque. Disponível em https://www.arquivosaoroque.com.br/acervo/items/show/576.

Em meados do século XVII a cultura da vinha nas terras de São Roque sempre esteve presente com cepas européias (vitis-viniferas) através capitão paulista Pedro Vaz de Barros, bandeirante, que viria ser o fundador da cidade. Com o falecimento dos fazendeiros pioneiros, Padre Doutor Guilherme Pompeu de Almeida, Pedro Vaz de Barros e seu irmão Fernão Paes de Barros, a viticultura em São Roque se ausenta da sua história, por um período de aproximadamente de duzentos anos, não tendo relato até a segunda metade do século XIX.

O ressurgimento das vinhas nas terras de São Roque, se dá na altura do ano de 1.865, quando Dr. Stevaux planta cepas de variedades americanas na fazenda Pantojo.

Na próxima semana, parte 2 desta reportagem, falaremos sobre o vinho paulista no período do século XX e XXI.

Autor: Carlos Vivi
e-mail: vinhosvivi@gmail.com.br
WhatsApp: (11) 9.5052-8855
Santana de Parnaíba – SP

Referências Bibliográficas:

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JORNAL BOM VIVANT – A Semana Jornalismo e Promoções Ltda -Coluna Luiz Groff, nº68, Garibaldi, Julho 2004.
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REVISTA TURISMO BRASIL SUL – Editora Espírito de Aventura, nº5, edição nº45, Florianópolis, Abril/Maio 2003.
ZERO HORA EDITORA JORNALÍSTICA S.A. – Guia do vinho gaúcho – RBS, Porto Alegre, 2004.
VINHEDO PAULISTA – Coordenação Técnica: Silvana Catarina Sales Bueno – Parte 1: Adriana Renata Verdi, João José de Oliveira Veloso, Sergio Inglez de Souza, Silvana Catarina Sales Bueno – Campinas, outubro 2010
VISITAS TÉCNICAS REALIZADAS EM VINÍCOLAS E VINHEDOS EM DIVERSAS REGIÕES DO BRASIL AO LONGO DE TRÊS DÉCADAS.