Itu pode ser destino de lixo radioativo estocado em São Paulo

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O Governo Federal tenta encontrar uma solução para armazenar mais de uma tonelada de rejeitos radioativos armazenados em velhos galpões no bairro de Interlagos, na zona sul de São Paulo. O material nuclear pertence a estatal Indústrias Nucleares Brasil (INB) que pretende liberar a área até 2025, devolvendo para a Prefeitura, inclusive já começou a fazer o processo de descontaminação do terreno de 60 mil m².

Das 1.179 toneladas de rejeitos radioativos guardados em centenas de tonéis, 590 toneladas são do material conhecido pelo nome de “Torta II”, um rejeito extraído no tratamento químico da monazita, um fosfato que combina metais pesados de terras raras, urânio e tório. Esse material pertencia à antiga empresa Nuclemon, a Usina de Santo Amaro, que funcionava em São Paulo até os anos 1980. Com o fechamento, todo seu rejeito foi transferido para a INB, que distribuiu o lixo radioativo entre Caldas e o bairro de Interlagos.

A pequena cidade de Caldas, município mineiro de 15 mil habitantes é a principal candidata a ficar com os resíduos. A INB tem uma base e já armazena materiais radioativos por lá. Porém a segunda opção seria deslocar o lixo para outra estrutura da estatal, em Itu. O local é uma área de 300 mil metros quadrados próximo das divisas de São Roque e Mairinque.

Em entrevista ao Jornal Estado de São Paulo, o prefeito Guilherme Gazzola disse que “A Prefeitura da Estância Turística de Itu, mesmo sem ter sido notificada oficialmente sobre esta intenção da INB, se opõe totalmente ao recebimento do material”. Ele chamou a decisão de “absurda” pois traria consequências negativas para o turismo do município que vive um momento de desenvolvimento urbano e econômico. “O poder público municipal declara que se mobilizará de maneira rígida para impedir qualquer ação neste sentido” – finalizou.