Jubair de Souza Carvalho inovou o vinho de São Roque | O Democrata

Vinhateiro e jornalista morreu atropelado há 50 anos

Hoje, quando se fala em “Quinta do Jubair”, lembra-se da Vinícola Góes que adquiriu em 1985 a propriedade, as instalações e a marca dos “afamados” vinhos produzidos desde 1959 e agregou mais valores. Mas quem deu início à fama ao vinho produzido na quinta (como são chamadas as propriedades rurais em Portugal)? Qual a origem do nome?

Foi o vinhateiro e jornalista Jubair de Souza Carvalho que nasceu em 24 de janeiro de 1916 e faleceu atropelado aos 55 anos no dia 26 de setembro de 1971.

Há 50 anos, O Democrata registrou a morte do empresário que estava à frente do seu tempo. Produzia vinhos finos e sabia promover sua marca investindo em embalagens e divulgação.

Em 2 de outubro de 1971, O Democrata estampou na primeira página: JUBAIR com o texto assinado por C.V. Toledo:
“Quis a fatalidade que essa alma desprendida que viveu entre nós fosse abrupta e violentamente subtraída do nosso convívio, provocando um trauma em nosso quase bucólico dia-a-dia.

Colaborador, como o cronista deste jornal, deixa para toda a família de O Democrata, à qual me associo, um vazio de dor e de saudade, que sobrepaira indelével como um sentir de ausência que sua partida repentina nos impõe, como um pesado e estranho silêncio decomposto em resignação e amarga realidade”.

O autor da homenagem Carlos Vieira de Toledo foi jornalista, poeta, membro da União Brasileira de Escritores e amigo pessoal de Jubair.

O FATO

A morte de Jubair ganhou amplo destaque na primeira página. O Democrata relatou que na noite de 26 [setembro] do corrente, por volta das 22h10, no km 63 da Rodovia Raposo Tavares, Bairro do Marmeleiro, próximo ao bar situado no mesmo km, Jubair foi atropelado e morto por um automóvel Volkswagen, tipo Karman-Ghia quando tentava atravessar a pista.

A polícia local tão logo soube do acidente compareceu ao local tendo o escrivão Orlando Lopreto tomado as providências que se faziam necessárias, comparecendo ainda a polícia técnica.

Curiosidade: Luciano Lopreto, neto de Orlando Lopreto, hoje é diretor da Vinícola Góes e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da marca Quinta do Jubair.

O velório no anfiteatro da escola Horácio Manley Lane reuniu inúmeras pessoas. “Entre as autoridades presentes pudemos anotar os senhores dr. Hélcio Carvalho e Castro e senhora dona Heloísa (representando o governo do Estado e o chefe da Casa Civil), José Baralle (Consulado da Suécia, diretor da Cia T. Janer), além de prefeitos e vereadores de São Roque e Mairinque.”

“O saudoso deixa os seguintes filhos: Deusiana, casada com Stanley Justo da Silva e os jovens Deusvenir e Esdras de Souza Carvalho, solteiros. Deixa também a sua muito querida d. Maria Laurinda Cobre. Braçadas e braçadas de flores cobriam a sua sepultura, tendo usado a palavra, dando o seu último adeus, o jornalista Antonio Machado Sant’ana”.

Jubair era membro atuante da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado de São Paulo e escrevia quase que semanalmente em O Democrata e muitas vezes seus artigos eram publicados em primeira página. Pouco antes da sua morte encontramos textos onde falava do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), programa que estava em fase inicial em São Roque e que formaria a primeira turma com 108 alunos.

Sem dúvida que o vinho era o tema preferido sempre apresentando ideias, cobrando e buscando soluções.

No artigo “Atentem Senhores Vinhateiros” dizia que faltavespírito publicitário e senso comum aos vinhateiros de São Roque.

“Quanto a São Roque está faltando, além de espírito publicitário, senso amplo e comum; pois enquanto os gaúchos têm 20 marcas de vinho para vender 350 milhões de litros, nós temos 80 marcas pra vender 12 milhões e litros de vinho.”

“Isso além de tontear o consumidor em matéria de degustação e gravação memorial das marcas e rótulos onera os vinhateiros com 80 escritas avulsas e compra de invólucros a varejo ao invés de alto atacado.

Quanto à propaganda de nossos vinhos, façamo-la “de per si” [modo individual] ou coletivamente, mas que todos os 80 vinhateiros o façam, pois desse modo teremos 80 propagandas dos vinhos de São Roque. ‘Ad majora natus’ [Nascido para coisa maiores].

O filho Deusvenir de Souza Carvalho deu sequência ao trabalho do pai mantendo o padrão de qualidade dos vinhos e o mesmo cuidado na confecção de embalagens e na divulgação na mídia principalmente em jornais e revistas, inclusive em publicações especializadas e com circulação em aviões voltadas para um público de maior poder aquisitivo.

No entanto, formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, optou em seguir a carreira de neurologista onde é um profissional de grande destaque e guarda as lembranças do pai e dos anos em que se dedicou à vitivinicultura.

Vander Luiz

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