Moradores do Jardim Camargo se sentem abandonados | O Democrata

Localizados na divisar entre os municípios de São Roque Cotia, o moradores do Jardim Camargo lutam por atenção do poder público. O acesso ao bairro, através da rodovia Bunjiro Nakao até a ponte Osmar Braz da Costa, percorre um trecho de 500 metros, pertencente à cidade vizinha e é um local mal iluminado palco de diversas ações de criminalidade, como estupro, latrocínio e assaltos.

Em outubro do ano passado, um assalto a uma chácara do bairro terminou com uma perseguição policial envolvendo guardas municipais de São Roque, Cotia e Ibiúna. Na troca de tiros, um bandido foi morto e outro levado ao Pronto Socorro de Vargem Grande Paulista, onde também veio a óbito. A violência deste caso chamou atenção pela invasão a domicílio e a custódia de reféns, mas também é possível observar como a localização do bairro é extrema, praticamente na divisa entre quatro cidades, o que traz outras adversidades.

O Jornal O Democrata recebeu o convite do sr. Marcos Condelli, que recebeu a reportagem em casa junto com outros moradores e suas reivindicações de melhorias, algumas de simples solução, outras mais complexas, mas não menos importantes.

Correios

Após longos anos de trabalho, todas as ruas do Jardim Camargo receberam nomes de cidades paulistas começando com a letra M. “Todas as ruas aqui tem CEP individual, não aquele genérico. Mesmo assim as cartas chegam apenas num estabelecimento comercial e os moradores acostumaram a ir lá para retirá-las” – comenta Condelli. Fica difícil entender o motivo pelo qual o carteiro vai até lá, mas não entrega as cartas de casa em casa.

Iluminação Pública

Como não é diferente nos bairros mais próximos do centro, é possível encontrar vários postes da Estrada Aguassaí, principal via de acesso ao bairro, fazendo a interligação com o Bairro do Carmo, com lâmpadas queimadas. O mesmo acontece nas ruas adjacentes, mas o fato de o bairro ser distante aumenta muito a percepção da escuridão e da insegurança. “Já há algum tempo, um cabo da CPFL se rompeu e ficou por tantos meses pendurado que acabou sendo furtado. Os últimos quatro postes da linha de iluminação não têm energia e um deles está caindo” – comenta José Sobrinho, um dos moradores que participaram da reunião. Eles contaram que certa vez o carro que faz a troca dos braços de iluminação levou algumas peças para troca, mas nunca mais voltou.

Sabesp                                                                                                          

Outro problema relatado foi a falta de água. Algumas casas têm poços artesianos, mas em alguns lugares é impossível perfurar. Segundo os moradores, a rede de água vem até o bairro do Carmo, mas nunca atendeu aquela região e ninguém nunca deu atenção para este problema. “Temos problemas quando chove, pois muitas galerias de água estão entupidas ou foram desviadas por construções indevidas feitas pelos próprios moradores. Daí a água acorrendo e estragando as ruas de terra por causa dos buracos que se formam. E quando não chove, os poços não enchem e o problema é ainda maior porque ficamos sem água, dependendo de caminhão pipa da prefeitura” – disse Aparecida Saeda.

Falta de fiscalização

Os moradores estão prestes a criar uma associação de bairro porque os pedidos são muitos. A movimentação de terra dentro de algumas propriedades incomoda, pois o local faz parte de uma Área de Preservação Permanente. “Podemos perceber muita vegetação sendo cortada e não tem como saber se existe autorização da Prefeitura. Até uma área de nascente já foi enterrada” – reclama Luiz Filho.

Outro fato que nossa reportagem constatou é que algumas ruas e vielas foram fechadas por moradores com cercas e tapumes improvisadas. São áreas que pertencem à municipalidade e foram “privatizadas”, demonstrando clara negligência da Prefeitura.

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