O que há de errado comigo?

Quantas vezes você já não se fez esta pergunta? Te conto que eu já me questionei inúmeras vezes.

Lembro-me de um caso. Uma reunião do grupo de estudo com minhas colegas da escola técnica de secretariado para desenvolver um trabalho. Éramos seis adolescentes, a Equipe Estrela do Comercial.

Naquele dia, a tarde estava linda, ensolarada e estávamos conversando antes de começar o trabalho, que exigia muita responsabilidade, posto que nossas apresentações eram memoráveis, e tínhamos uma concorrente de peso, a Equipe Shazan.

Por várias vezes eu não pude estar presente nas reuniões, o que me gerava um grande desconforto e dificuldade para me encaixar no grupo. Sempre procurava ficar com os papéis menos expressivos, que não chamassem muita atenção.

Eu tinha uma vergonha enorme por ser mais gordinha e elas serem lindas e magras. Além de que, na minha percepção, elas eram ricas e eu pobre. Eu me comparava com elas o tempo todo, pela beleza da casa, dos móveis, do bairro. Todas elas tinham uma família completa, mas eu era filha de pais separados desde meus 13 anos. Como filha mais velha, logo cedo fui designada como “cuidadora” de meus irmãos para que minha mãe pudesse trabalhar.

E essa era a razão das minhas faltas no grupo, mas elas não sabiam disto. Só que a minha pouca participação foi criando um clima pesado com elas. E naquele dia elas me colocaram na parede e eu tive que confessar.

Contei para elas que eu só estava lá porque conseguira deixar os meus irmãos com a vizinha. Eu não queria que pensassem que eu não me importava com o grupo, expliquei.

E para minha surpresa, aquelas meninas me deram a maior chance de cura da minha vida. A de contar a minha história para elas. Lembro desta tarde até hoje, pois desidratamos de tanto chorar juntas, abraçadas e felizes por eu ter finalmente conseguido expressar os meus sentimentos e ser acolhida por elas.

E por que tantas vezes não fazemos isso? E continuamos alimentando a nossa mente com pensamentos de dor, encobertos por uma raiva camuflada de tristeza, que não conseguimos sequer admitir devido à nossa impotência de acessar a nossa grandeza.

Vivemos em um mundo em que a comparação é inevitável, em que os egos estão sempre dispostos a competir uns com os outros, ao mesmo tempo que morremos de medo do julgamento.

Possuidores de uma falsa individualidade, os egos multiplicam-se como vírus, coibindo o nosso livre arbítrio e o nosso poder de decisão.

Hoje compreendo que minhas dores e medos foram a minha maior motivação para uma busca interior e o meu mais importante material de trabalho, até hoje.

E você? Como lida com seus pontos de dor? Consegue reconhecer quando está precisando de ajuda?

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Maria D’Arienzo – Astróloga

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