São Roque publica decreto contra “sommelier” de vacina

A partir da última sexta-feira, 2 de julho, quem se recusar a tomar a vacina contra a COVID-19 para escolher o laboratório que produz o imunizante vai para o final da fila de vacinação. A medida é uma forma de garantir respeito a fila, ao trabalho de imunização e às pessoas que anseiam pela proteção contra o coronavírus.

A prática, que foi apelidada de “sommelier” de vacina é apontada como um dos maiores problemas no processo de imunização, no Brasil, juntamente com o abandono da segunda dose.

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ouvidos pela CNN repudiaram também a prática dos “sommeliers de vacina”, como são chamadas as pessoas que vão aos postos de vacinação em busca de imunizantes específicos contra o novo coronavírus. Essas pessoas chegaram a criar grupos nas redes sociais para se ajudarem na procura da vacina de preferência. Para a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, a tentativa de escolher um determinado imunizante não tem base científica.

“Não há o menor sentido em fazer escolha de vacina. Ninguém deve fazer isso sem estar baseado em dados científicos. Todos devem tomar os imunizantes conforme a disponibilidade em cada região”, disse Dalcolmo.  

São Bernardo do Campo, no ABC paulista, foi a primeira cidade a criar uma regra contra esse comportamento e foi seguida por diversas cidades ainda nesta semana.

“É um grave erro tentar escolher qual vacina se vai tomar, pois o coronavírus não escolhe quem ele vai contaminar e matar. Temos realizado um grande trabalho para vacinar toda a nossa população o mais rápido possível e com segurança, pois todas as vacinas que aplicamos são seguras e salvam vidas. Sommelier é só de vinho, de vacina não. Vacina boa é vacina no braço”, afirmou o Prefeito de São Roque, Guto Issa, que publicou decreto estipulando a nova regra nesta sexta-feira.

A medida foi implementada através do Decreto n.º 9.620 e estabelece que, se a pessoa for até o local de vacinação e se recusar a receber a dose em razão do laboratório que produz o imunizante, será elaborado no local um termo informando sobre a situação. O documento será assinado por duas testemunhas e informará ao munícipe sobre a perda do direito de vacinação por ordem cronológica e a sua realocação na fila de imunização. Ou seja, só vai ser vacinado após a conclusão da vacinação de todo o público adulto (maiores de 18 anos, sem comorbidades) da cidade.

Se a pessoa continuar recusando-se a tomar a dose após a vacinação de todo público adulto, o município irá comunicar às autoridades sanitárias para que sejam tomadas medidas legais sobre o caso.