Mulheres Rurais e os quitutes das Festas Juninas | O Democrata

A festa de São João, é tida como tradicionalmente, uma festa da agricultura familiar. Pois, é tempo de colheita da laranja, do milho, amendoim, e de degustar uma canjica, licores, bolo, milho cozido, entre outras delícias típicas desta festa. São sabores diversos e aromas que encantam, e nos fazem reviver memórias daquele bolo gostoso da avó, de sua mãe. Os doces e brincadeiras juninas, deixam os dias alegres, e estas festas, que nos dias de hoje se estendem pelas festas Julinas, trazem um refresco, na rotina do dia a dia.

A presença feminina, nessas festas são marcantes, seja fazendo os quitutes ou participando dos festejos, com a família e amigos. E prevendo esses festejos, as propriedades rurais se planejam e plantam os produtos que serão ingredientes dos pratos variados, que compõem uma boa festa. Esse planejamento agrícola, auxilia no aproveitamento dos alimentos, na manutenção das tradições da comunidade e na sua subsistência.

Para que a produção de diversos bolos, doces, salgados, pizzas, bebidas como o quentão e vinho quente, são vários os alimentos que precisam ter sua produção continuada, visando atender a demanda não apenas das festas juninas, como a manutenção familiar, durante o ano todo.

As festas juninas são mais antigas do que se imagina. Umas das hipóteses é de que elas ocorram há centenas de anos, durante o solstício de verão, para comemorar o inicio da colheita do milho e a fertilidade da terra.

No Brasil, essa festa foi trazida pelos portugueses, com um caráter alegre e festivo, ao passar dos anos, misturou-se com nossos aspectos culturais miscigenado (indígena, imigrantes europeus, afro-brasileiros) em todas as regiões desse nosso imenso país.

Curiosidades:

  • Essa festa é a segunda mais importante e popular do Brasil (fica atrás somente do Carnaval.)
  • Campina Grande é a cidade onde ocorre a maior Festa Junina do Brasil e reúne milhares de pessoas todos os anos.
  • Em Portugal a Festa Junina, era chamada de “Festa Joanina”, homenageando São João Batista.
  • Fogueira, celebra a fertilidade da terra e afasta pragas agrícolas

As danças, fogueiras, chapéu de palha, quadrilha, são marcas registradas de uma boa festa junina. As comidas típicas dessas festas são produzidas com grãos e raízes que nossos agricultores cultivam há muito tempo. Junto com a dança caipira, as homenagens aos santos como: Santo Antônio (santo casamenteiro), João Batista e Pedro que inspiram novenas e rezas e também várias simpatias. Dentre elas tem uma simpatia para “segurar“, o noivo e “amarrar” o marido.

Essa simpatia é feita em forma de oração que é feita pela moça que esta noiva, e quer apressar o casamento ou pela esposa recém-casada que não quer perder o cônjuge. Essa oração traz elementos simbólicos que são transformados em recursos para cativar, apressar a pessoa em questão:

    “Padre Santo Antônio dos cativos, vós que sois um amarrador certo, amarrai, por vosso amor, quem de mim quer fugir, empenhai o vosso hábito e o vosso santo cordão com algemas fortes e duros grilhões que façam impedir os passos de (nome do ser amado), que de mim quer fugir, e fazei, ó meu bem aventurado Santo Antônio, que ele case comigo sem demora! Pelos vossos milagres; pela palavra quando a Jesus faláveis; pela defesa do vosso pai, um pedido eis-me a fazer”.

Se levando em conta o tanto de pedidos, esses santos tem muitas tarefas para atender nas festas Juninas.

Teremos uma festa Julina dia 09/07 na Hípica São Roque das 16 até às 23hs, na Estrada Romão Dias Góes, 7.300, bairro Ibaté. Promovida pelo grupo de Turismo Rural de São Roque, com objetivo de angariar fundos para a Associação São Roque Rural – Experiências e Vivências. Venha participar desse Arraial, onde a alegria e os quitutes deliciosos, estarão presentes.

Sempre que possível consuma alimentos agroecológicos ou orgânicos, pois são alimentos de origem vegetal ou animal provenientes de sistemas que promovem o uso sustentável dos recursos naturais, produzindo alimentos livres de contaminantes, que protegem a biodiversidade e contribuem para a criação de trabalho e ao mesmo tempo, respeitam e aperfeiçoam os saberes e formas de produção tradicionais.

Silvia Hermida – Bióloga e Produtora Rural

Fonte: Rangel, L H V. “Festas Juninas, festas de São João: origens, tradições e história”. São Paulo: Publishing Solutions, 2008.

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