Por pessoas femininas livres de qualquer sofrimento | O Democrata

Minhas amigas,

Esta é uma das colunas mais difíceis que escrevo.

Estou impactada pelo “balanço” dos últimos dias, naquilo que se refere à saúde, liberdade, exercício de direitos, vida de crianças e mulheres.

Estamos sob ataque feroz. E isto não é figura de linguagem.

Desde 1940, o aborto é permitido no Brasil para caso de estupros e em riscos à gestante. Há especialistas que dizem ter sido o motivo da legalização, no caso de estupro, a impossibilidade de se exigir de homem ser obrigado a “criar” filho de outro.

A mulher não entra na conta.

Nossa dor é irrelevante.

Não há preocupação com a saúde de menina de 11 anos grávida – com o risco de vida que esta gravidez representa.

Não há preocupação a saúde mental de jovem que doa criança, fruto de seu estupro para adoção (direito de qualquer mulher). Não há preocupação com a integridade da mulher.

São dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública:

– 35.735 pessoas de 0 (zero) a 13 (treze) anos foram estupradas no Brasil, em 2021;

– 80% (oitenta porcento) dos estupradores são pais ou padrastos, primos, irmãos ou tios das vítimas;

– 13% (treze porcento) apenas dos estupradores não tem vínculo com a vítima;

– A cada aborto legal, para crianças, 11 sofrem aborto espontâneo ou são submetidas a processo de abortamento de risco;

– 100 mil meninas e mulheres registraram caso de estupro, durante a pandemia, quase a população de São Roque inteira;

– A população LGBTQIPA+ tem sido barbaramente violentada e os dados não são coletados devidamente;

E os números escabrosos não param.

Não vão parar.

No final de semana, uma advogada gaúcha foi morta no exercício de sua profissão (ela defendia vítima de violência doméstica).

Na rede onde mantenho meu perfil profissional, diante de minha posição contra a maneira de juíza conduzir caso da menina estuprada e grávida, em audiência e já afastada de sua mãe, houve apenas uma intervenção expressando, superficialmente, preocupação com a dor desta menina.

Todas as outras tratavam de proteger mulher adulta, profissional, independente. Servidora Pública.

Não há mais nada o que dizer.

Há o que se fazer. Temos de estar informadas e atentas.

Precisamos de mais mulheres no Poder Legislativo, Executivo e Judiciário.

Nossas dores tem de ser ouvidas. Sigamos. Juntas e informadas.

Julie Kohlmann é Doutoranda em Filosofia do Direito, Mestre em Direito Civil, Especialista em Direito Penal e Associada ao IBDFAM – @juliekohlmannadvogada

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