Em 1926, O Democrata superou quebra da impressora; a reabertura da Igreja em 1986 – O Democrata

A Festa de São Benedito ocorreu nesta semana (3 a 6 de janeiro), com o tríduo, levantamento do mastro e procissão. Tradição mantida graças ao empenho da incansável Wilma Baroni Boccato, 93 anos, responsável pela administração da Igreja de São Benedito há décadas. Em São Roque, a comemoração ocorre no dia 6 de janeiro (Dia de Reis). Neste ano, participaram Luís Roque Lopes (capitão do mastro), Cláudia Antonia Alcântara Lopes (alferes da bandeira) e os festeirinhos Alice, Vicente e Benício de Mello Marques, Mariah e Miguel de Camargo e Lavínia Carneiro Moreno.

Mesmo com a principal impressora quebrada, O Democrata circulou no dia 10 de janeiro de 1926 (domingo) com a programação do último dia da Festa de São Benedito

A Igreja de São Benedito é o prédio mais antigo da região central da cidade, construído a partir de 1855 (data que aparece na fachada) para abrigar os escravos, por iniciativa do padre Francisco José de Moraes (Padre Chico), ao fundar a Irmandade dos Homens de Cor. O Arquivo Vivo resgata dois momentos da Festa de São Benedito.

A Festa de São Benedito de 1926 marcou a despedida do vigário Antonio Pepe, após dez anos em São Roque, sendo substituído pelo padre Affonso Pozzi

Há um século (1926), a programação da Festa de São Benedito teve início com a novena em 1º de janeiro. Fundado em 1917, O Democrata circulava inicialmente aos domingos e a edição de 10 de janeiro quase não foi impressa. “Devido a um desarranjo na máquina impressora de nossa folha, fomos obrigados a tirar o presente número em formato menor, sem prejuízo aos nossos caros leitores, pois o completamos com um suplemento para lhe dar o tamanho natural”, justificava o jornal em primeira página.

Vasco Barioni comemorou a reabertura da Igreja de São Benedito com uma crônica na primeira página do Jornal O Democrata (04/01/1986)

Destaque para a solene missa das 10h, com a orquestra comandada por Argeu Villaça e os cantos da senhorita Albertina de Castro. No evangelho, subiu ao púlpito o conterrâneo padre Roque de Barros. A festa marcou a despedida do padre Antonio Pepe, após dez anos no comando da Paróquia de São Roque. No domingo seguinte, tomou posse o padre Affonso Pozzi.

Na edição do dia 17 de janeiro, o jornal trouxe os detalhes do encerramento da festa. Apesar do mau tempo, a programação foi cumprida com sucesso, incluindo um leilão para auxiliar nas despesas e a apresentação da Corporação Musical Liberdade, “que executou várias peças do seu vasto repertório no coreto erigido no Largo Municipal, em frente à Igreja de São Benedito”. No último dia, houve alvorada e café da manhã na casa da festeira Ondina de Andrade Ribeiro. Para 1927, foram sorteados como festeiros Benedicto Malheiros de Moraes, Olívio Valdambrini, a menina Maria Auxiliadora Ribeiro Lopes e a senhora Mariinha de Andrade.

Reabertura da Igreja de São Benedito após a reforma; o prédio histórico quase foi demolido (Jornal O Democrata, 11 de janeiro de 1986)

REABERTURA EM 1986
Em 1986 (há 40 anos), um momento especial com a reabertura da Igreja de São Benedito, que havia permanecido fechada por vários anos, sem bancos e transformada em depósito de barracas da Festa de São Roque e de imagens sacras. Na primeira página da edição de 4 de janeiro, Vasco Barioni escreveu: “Finalmente, para a alegria de todos os são-roquenses devotos, a população de nossa cidade voltará a frequentar a nossa querida ‘igrejinha’ de São Benedito, pois a comissão encarregada de sua restauração, juntamente com o nosso caro pároco, padre Renato Litério da Silva, está organizando um programa para a reabertura oficial da igreja, no dia 6 de janeiro próximo, data em que se festejava antigamente São Benedito.”

O cronista lembrou, com saudade, do incentivo do Monsenhor Silvestre Murari, dos festeiros e da Comissão das Damas do Apostolado, com destaque para Amasília Ribeiro Lopes, Mariquinha Capuzzo, Adelina Conti e tantas outras senhoras da sociedade. Recordou ainda que certa vez sua senhora, Dona Nezita, foi festeira juntamente com seu cunhado, o médico Guaracy Ribeiro Lopes, que trouxe do Rio de Janeiro uma inovação para a época: chope com batatinha frita. “Não havia batatinha que chegasse, nem chope”, registrou.

Na edição de 11 de janeiro de 1986, a manchete destacou: “Reabertura Festiva da Igreja de São Benedito”. O jornal descreveu: “Assim, a manifestação de fé, na última segunda-feira, foi um espetáculo altamente reconfortante. Centenas de fiéis aplaudiram entusiasticamente a saída do bem-enfeitado andor de São Benedito, no momento em que o badalar dos sinos da velha igreja, o espoucar de morteiros e os acordes sonoros da Corporação Musical Carlos Gomes davam ao ato um toque todo especial e altamente festivo.”

AMEAÇA DE DEMOLIÇÃO
Sem dúvida, um momento especial para a história da cidade, com a retomada de uma tradição e a preservação de um prédio histórico. Nos anos 1970, o escritor e historiador Paulo da Silveira Santos chegou a temer pela demolição: “Ao que consta, a Cúria Metropolitana espera que a velha estrutura ameace desabar para proceder à demolição completa, colocando o terreno à venda, hoje altamente valorizado por se localizar no perímetro central da cidade… Mesmo que se obtivesse o pretendido tombamento, restaria saber se o governo disporá de verba para os consertos e reparos no velho arcabouço, prestes a ruir. Infelizmente, ao que tudo leva a crer, a Igreja de São Benedito está com os seus dias contados, isto é, com a sorte completamente selada.”

Vander Luiz

Jornal O Democrata São Roque

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