Um amplo estudo científico publicado em fevereiro de 2026 na revista JAMA concluiu que o consumo moderado de cafeína pode estar associado a um menor risco de desenvolver demência e a um desempenho cognitivo ligeiramente melhor a longo prazo.
A pesquisa acompanhou mais de 131 mil adultos nos Estados Unidos por mais de 40 anos. O trabalho, intitulado “Coffee and Tea Intake, Dementia Risk, and Cognitive Function”, analisou detalhadamente a relação entre o consumo de café — com e sem cafeína —, chá e o risco de demência, além de diferentes indicadores de função cognitiva.
Quantidade ideal: entre duas e três xícaras de café por dia
Um dos principais achados do estudo foi a identificação de uma associação mais consistente entre menor risco de demência e o consumo de duas a três xícaras diárias de café com cafeína.
De acordo com os pesquisadores, o efeito observado segue um padrão de dose-resposta inverso não linear. Isso significa que o benefício não aumenta indefinidamente com maiores quantidades. Pelo contrário, os resultados mais marcantes foram registrados em níveis moderados de consumo.
Pessoas que consomem de duas a três xícaras de café com cafeína por dia apresentaram cerca de 20% menos chances de desenvolver demência em comparação com aquelas que não consomem a bebida.
Chá também apresentou resultados semelhantes
A análise incluiu ainda o consumo de chá cafeinado. Os dados indicaram associações semelhantes com menor risco de demência e melhores resultados cognitivos, especialmente entre indivíduos que ingerem uma a duas xícaras por dia.
Já o café descafeinado não apresentou relação significativa nem com redução do risco de demência nem com melhora no desempenho cognitivo. Segundo os autores, esse achado reforça a hipótese de que a cafeína pode desempenhar papel central nos efeitos observados.
Estudo é observacional
Os pesquisadores destacam que o trabalho é de natureza observacional, e não um ensaio clínico. Ainda assim, ressaltam que o longo período de acompanhamento, o grande número de participantes e a diferenciação entre café com e sem cafeína fortalecem a robustez dos resultados.
Em suas conclusões, os autores afirmam que maior consumo de café com cafeína e de chá está associado a menor risco de demência e a resultados cognitivos modestamente mais favoráveis, dentro dos limites observados na pesquisa.
O estudo acrescenta novas evidências ao debate científico sobre o impacto do consumo de cafeína na saúde cognitiva ao longo do envelhecimento.

