O câncer do colo do útero ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil, apesar de ser um dos tipos de câncer com maior potencial de prevenção. A doença é atualmente a que mais mata mulheres até os 36 anos no país e a segunda principal causa de morte por câncer entre mulheres de até 60 anos, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

O alerta ganha destaque durante o Março Lilás, campanha dedicada à conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), principal causador da doença.
De acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028, o que representa um risco estimado de 17,59 casos a cada 100 mil mulheres.
Estratégia global de combate ao câncer do colo do útero
Como parte das ações para reduzir a incidência da doença, o Ministério da Saúde segue a estratégia global proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conhecida como 90–70–90. A meta prevê, até 2030:
- Vacinar 90% das meninas contra o HPV
- Realizar rastreamento em 70% das mulheres com exames adequados
- Garantir tratamento para 90% das pacientes diagnosticadas com lesões ou câncer
A principal causa do câncer do colo do útero é a infecção persistente por determinados tipos de HPV, vírus transmitido principalmente por contato sexual.
Prevenção e diagnóstico precoce
Segundo a médica Dra. Madalena Oliveira, professora da pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória, o câncer do colo do útero apresenta um paradoxo: apesar de amplamente prevenível, muitas mulheres ainda recebem o diagnóstico em estágio avançado.
“O câncer do colo do útero geralmente se desenvolve de forma lenta, ao longo de vários anos, passando por lesões precursoras que podem ser identificadas e tratadas antes de se tornarem um tumor”, explica a especialista.
A prevenção se baseia principalmente em duas estratégias:
- Vacinação contra o HPV
- Rastreamento periódico
Tradicionalmente, o rastreamento é feito por meio do exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, que identifica alterações celulares precoces.
Nos últimos anos, novas estratégias vêm sendo incorporadas ao sistema de saúde, como o teste molecular de HPV (PCR), que detecta diretamente a presença do vírus no organismo e apresenta maior sensibilidade que a citologia tradicional. A implementação desse método está sendo feita gradualmente no Brasil, começando pelas regiões Norte.
Desenvolvimento lento da doença
Após a infecção pelo HPV, o vírus pode ser eliminado naturalmente pelo organismo ou tornar-se persistente. Quando isso ocorre, pode provocar alterações celulares que evoluem lentamente até o câncer.
Segundo especialistas, esse processo pode levar cerca de 10 anos até o desenvolvimento do tumor, o que torna o rastreamento periódico fundamental para detectar lesões pré-malignas antes que se tornem cancerosas.
Barreiras ao exame preventivo
Outro desafio apontado por profissionais de saúde é ampliar o acesso à informação e reduzir barreiras culturais que ainda afastam muitas mulheres dos serviços de saúde. Algumas pacientes relatam desconforto ou vergonha em relação ao exame preventivo, o que leva ao adiamento da consulta.
Novas estratégias, como a autocoleta para exames de rastreamento, começam a ser estudadas e implementadas para ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente entre mulheres que enfrentam dificuldades para realizar a coleta tradicional ou vivem em regiões com menor oferta de serviços de saúde.
Cinco fatos sobre o câncer do colo do útero
- O câncer pode levar 10 a 20 anos para se desenvolver após a infecção pelo HPV.
- Nas fases iniciais, a doença geralmente não apresenta sintomas.
- A vacina contra HPV também ajuda a prevenir outros tipos de câncer, como os de ânus, orofaringe, pênis e vulva.
- Mesmo mulheres vacinadas devem realizar o exame preventivo regularmente.
- Homens também participam da cadeia de transmissão do HPV, o que reforça a importância da vacinação de meninos e meninas.
Crédito
As informações são de material informativo divulgado pela Afya, ecossistema brasileiro de educação e soluções para a prática médica, com participação da médica Madalena Oliveira, professora da pós-graduação em Ginecologia da Afya Vitória. Dados citados também têm como base estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e informações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

