A tuberculose voltou a acender um alerta no Brasil. Mesmo sendo uma doença antiga e com tratamento disponível, os casos seguem em alta — e um fator silencioso preocupa especialistas: a ausência de sintomas claros em muitos pacientes no início da infecção.

De acordo com o mais recente Boletim Epidemiológico de Tuberculose, o país registrou mais de 85 mil novos casos em 2024, além de cerca de 6 mil mortes por ano. O cenário mantém a doença entre as infecções que mais matam no mundo.
Situação global da tuberculose
Dados do Relatório Global da Tuberculose 2024, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que:
- 7,5 milhões de pessoas foram diagnosticadas com tuberculose no mundo;
- Cerca de 10,6 milhões adoeceram no período;
- A doença causou 1,3 milhão de mortes globalmente em 2024.
Diagnóstico precoce é um desafio
Um dos principais problemas no combate à tuberculose é a dificuldade no diagnóstico precoce. Um estudo recente publicado na plataforma ScienceDirect aponta que muitos casos evoluem sem sinais evidentes.
Sintomas clássicos como:
- tosse persistente
- febre
- perda de peso
podem não aparecer nas fases iniciais, dificultando a identificação e favorecendo a transmissão.
Segundo especialistas, a doença não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes, o que exige atenção mesmo na ausência de sintomas.
Infecção latente: o risco silencioso
Estima-se que uma em cada quatro pessoas no mundo tenha a bactéria Mycobacterium tuberculosis no organismo.
Na maioria dos casos, ela permanece inativa — o que é conhecido como infecção latente. No entanto, quando o sistema imunológico é enfraquecido, a bactéria pode se ativar e provocar a doença, principalmente nos pulmões.
Metas globais não foram atingidas
A estratégia “End TB”, da OMS, previa metas até 2020:
- Redução de 20% na incidência
- Redução de 35% na mortalidade
No entanto, os resultados ficaram abaixo do esperado:
- Queda de apenas 6,3% na incidência
- Redução de 11,9% na mortalidade
O ritmo atual é considerado insuficiente para atingir os objetivos até 2035.
Fatores de risco e impacto na saúde pública
A tuberculose está diretamente ligada a fatores que aumentam o risco de adoecimento, como:
- tabagismo
- consumo de álcool
- diabetes
Especialistas destacam que uma parcela significativa das mortes poderia ser evitada com a redução desses fatores, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada.
Tuberculose resistente preocupa
Outro desafio crescente é a tuberculose resistente aos antibióticos. O tratamento convencional é longo e exige adesão rigorosa.
Quando interrompido ou realizado de forma inadequada, podem surgir cepas resistentes, que:
- são mais difíceis de tratar
- exigem terapias mais longas
- têm maior custo e efeitos adversos
Essas formas já estão presentes em diversas regiões do mundo.
Um problema que exige atenção contínua
Diante desse cenário, especialistas reforçam que a tuberculose segue como um importante desafio de saúde pública, exigindo atenção contínua da população, dos profissionais de saúde e das autoridades. O avanço silencioso da doença, aliado às dificuldades no diagnóstico precoce e ao surgimento de formas resistentes, evidencia a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, acesso ao tratamento e conscientização, para conter a transmissão e reduzir os impactos no Brasil e no mundo.

