O amigo José Henrique Campos de Oliveira faleceu aos 92 anos, no início da madrugada de segunda-feira (30 de março). Ficam as boas lembranças de uma pessoa apaixonada por cinema, música e trens. Durante décadas marcou presença em eventos de São Roque sempre com uma filmadora em mãos. Registrou inúmeros momentos que merecem ser catalogados e divulgados. Colecionou fotos, discos, jornais, revistas e livros.

Foi casado com Delma Baroni Campos de Oliveira, falecida em 6 de julho de 2016. Deixa a filha Joseane Baroni de Oliveira Berro, o genro Douglas Berro (Juquinha) e a neta Luíza. Por conta do trabalho do pai, nasceu em 17 de junho de 1933, na cidade de São Gonçalo (RJ). Gentil de Oliveira, trabalhava no Cimento Santa Rita (Itapevi) e passou um período na cidade fluminense durante a instalação de uma nova fábrica. Foi apenas uma circunstância geográfica: a família retornou para São Roque quando ele tinha três anos de idade.


O Arquivo Vivo resgata o período em que José Henrique se dedicou à produção do filme “Balas Encravadas”, lançado em 14 de abril de 1961, no Cine Teatro São José. A avant-première movimentou a cidade, que estava curiosa para acompanhar a “sensacional comédia faroeste”, o primeiro filme são-roquense interpretado exclusivamente por artistas amadores locais.

A ideia nasceu de uma conversa com o amigo Mafaldo Corrêa, que disse ter dois rolinhos de filme. “Tinha que ser faroeste, que era o tema do momento no cinema. Decidimos que não seria um filme sério. Começa com o Henriquinho Gaspari, que era baixinho, no papel de mocinho. Quando foi exibido, muita gente levou pelo lado sério. Aliás, não era para ser exibido, mas ganhou proporção por conta da divulgação no jornal O Democrata.” O próprio Zé Henrique era contra a exibição, pois considerava o filme apenas uma brincadeira entre amigos. Batizada de Companhia Cinematográfica de São Roque contava com sete pessoas. Em votação, a apresentação pública foi aprovada por 4 a 3.
Vander Luiz

