Um estudo conduzido pela Universidade de Kyoto apresentou resultados promissores no uso de terapia celular para o tratamento da Doença de Parkinson. A pesquisa revelou aumento significativo na produção de dopamina em áreas específicas do cérebro de pacientes, dois anos após o transplante de células.
Avanço na produção de dopamina
Exames de imagem indicaram que os pacientes submetidos ao procedimento tiveram melhora na produção de dopamina — neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos, humor, atenção e memória. A redução dessa substância está diretamente ligada aos sintomas da doença, como tremores e rigidez muscular.
Base científica da terapia
A técnica utilizada se baseia na descoberta do cientista Shinya Yamanaka, que demonstrou ser possível reprogramar células adultas para um estado semelhante ao de células-tronco. Esse processo permite transformá-las em neurônios produtores de dopamina.
Como o procedimento é realizado
De acordo com o pesquisador Jun Takahashi, o método envolve:
- Coleta de amostras de sangue de doadores
- Reprogramação dessas células em neurônios produtores de dopamina
- Produção de cerca de 10 milhões de células
- Implantação direta no putâmen, região profunda do cérebro
O procedimento é descrito como minimamente invasivo.
Resultados observados nos pacientes
A pesquisa envolveu sete voluntários, com idades entre 50 e 70 anos. Após dois anos:
- A melhora média dos sintomas motores foi de cerca de 20%
- Alguns casos apresentaram evolução de até 50%
Critérios atuais e próximos passos
A terapia está sendo aplicada, por enquanto, em pacientes que:
- Vivem com Parkinson há mais de cinco anos
- Não respondem adequadamente aos tratamentos medicamentosos
Os pesquisadores pretendem ampliar o estudo para 35 participantes e acompanhar os efeitos a longo prazo antes de buscar aprovação oficial.
Perspectiva científica
Embora ainda não represente uma cura, o estudo é considerado um marco no desenvolvimento de terapias regenerativas para doenças neurodegenerativas, com foco na reposição funcional de neurônios afetados.

