A União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados adequados às regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão foi publicada nesta terça-feira (12) e pode afetar exportações brasileiras de produtos como carne bovina, carne de frango, mel, ovos, aves, bovinos, equinos e itens da aquicultura.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que determinados antimicrobianos proibidos pelo bloco não são utilizados durante o ciclo de produção animal. A informação foi confirmada pela porta-voz para a Saúde da União Europeia, Eva Hrncirova, em entrevista à agência Lusa.
A União Europeia é atualmente o segundo principal destino das carnes brasileiras em valor comercial, atrás apenas da China. Em 2025, o bloco importou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros do setor, movimentando US$ 1,8 bilhão.
Nas exportações de carne bovina, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão com vendas de 128 mil toneladas ao mercado europeu. Já a carne de frango somou US$ 762 milhões e 230 mil toneladas exportadas. O mel brasileiro também aparece entre os produtos potencialmente impactados, com US$ 6 milhões em exportações e mil toneladas embarcadas.
Entre os antimicrobianos citados nas exigências europeias estão virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de parte dessas substâncias como melhoradores de desempenho animal.
De acordo com especialistas citados na reportagem original, o Brasil poderá voltar à lista da União Europeia caso comprove o cumprimento das exigências sanitárias do bloco, seja por meio de novas restrições legais ou da comprovação de que os produtos exportados não utilizam os antimicrobianos proibidos.
A medida ocorre dias após a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, mas especialistas afirmam que a decisão tem caráter sanitário e não está ligada diretamente ao tratado comercial.
Com informações do g1.

