O Ministério da Saúde iniciou a distribuição da vacina Pneumo 20 para estados e municípios brasileiros. O novo imunizante será incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e oferece proteção contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças graves como pneumonia, meningite e otite média.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os procedimentos necessários para a implementação da vacina já foram concluídos, incluindo a publicação da nota técnica e o início da distribuição das doses. A expectativa é que a aplicação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) comece na segunda quinzena de junho, conforme o recebimento dos imunizantes pelos municípios.
Primeiras doses já estão sendo distribuídas
O Ministério da Saúde informou que as primeiras 514 mil doses já começaram a ser enviadas aos estados. A previsão é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses da Pneumo 20 ao longo deste ano.
Atualmente, o imunizante já está disponível na rede privada, onde pode custar mais de R$ 500. Com a incorporação ao SUS, a vacina passa a ser ofertada gratuitamente à população.
O que muda com a Pneumo 20
O principal diferencial da nova vacina é a ampliação da proteção contra sorotipos do pneumococo associados a casos graves da doença, incluindo os tipos 3, 6A e 19A.
Além da prevenção contra pneumonia e meningite, a vacina também ajuda a reduzir casos de otite média, uma condição que pode evoluir para perda auditiva e infecções generalizadas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil por doença prevenível.
Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes relacionadas à doença, com taxa de letalidade superior a 30%. No mesmo período, crianças menores de 5 anos responderam por 616 casos e 188 óbitos.
Quem poderá receber a vacina
A Pneumo 20 será destinada aos seguintes grupos prioritários:
- Crianças menores de 5 anos;
- Povos indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada;
- Idosos com 60 anos ou mais acamados ou institucionalizados;
- Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Como ficará o esquema vacinal durante a transição
O Ministério da Saúde informou que a substituição das vacinas pneumocócicas atuais ocorrerá de forma gradual.
Durante a fase de transição, o esquema básico para crianças será composto por:
- Uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses de idade;
- Uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses;
- Uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses.
O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço será de 60 dias.
Após o término dos estoques da Pneumo 10, o esquema vacinal passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.
Histórico de proteção contra doenças pneumocócicas
Segundo o Ministério da Saúde, a introdução da vacina Pneumo 10 no Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 2010, contribuiu para uma redução entre 55% e 60% da doença pneumocócica invasiva em crianças menores de 2 anos. Os casos de meningite pneumocócica nessa faixa etária apresentaram queda superior a 65%.
Entre adultos com 60 anos ou mais, a redução observada variou entre 20% e 30%.
Os dados também mostram aumento da cobertura vacinal infantil nos últimos anos. A vacinação contra doenças pneumocócicas passou de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada já alcança 86,33%.
O acompanhamento do histórico de vacinação infantil pode ser feito por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.
Com informações do MS.


