A tristeza de 1982 e o pentacampeonato do Brasil – Jornal O Democrata

Em ritmo total de Copa do Mundo, o Arquivo Vivo dá sequência à trajetória das duas estrelas conquistadas após a posse definitiva da Taça Jules Rimet, obtida com o tricampeonato de 1958 (Suécia), 1962 (Chile) e a consagração do futebol-arte em 1970 (México).

Em 1994, o torcedor são-roquense tomou as ruas para comemorar a conquista do tetracampeonato. Na mesma edição, artigo do comandante Herbert Moraes dos Santos criticava o fechamento de vias que impediu a passagem até mesmo de ambulâncias. “Há muito tempo, o telefone 190 não era tão disputado”, escreveu

Depois do show de bola no México, o torcedor brasileiro teve de esperar 24 anos para voltar a gritar “sou campeão do mundo”. Em 1994, a Seleção Brasileira voltou ao topo do futebol mundial, o capitão Dunga reviveu “aquele gesto de erguer a taça ao mundo”, criado por Bellini e seguido por Mauro e Carlos Alberto Torres. O gesto está imortalizado na canção “Sou Tricampeão do Mundo”, composta pelos irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle e gravada pelo grupo Golden Boys.

Na véspera da final da Copa do Mundo de 2002, disputada em Yokohama, no Japão, O Democrata resumiu a expectativa dos torcedores: um único pentacampeão mundial ou duas seleções tetracampeãs

Em 2002, Cafu quebrou o protocolo, subiu ao pedestal e estampou na camisa a origem humilde no Jardim Irene para confirmar o Brasil como o primeiro pentacampeão mundial. O intervalo entre o tetra de 1994 e o penta de 2002 foi de apenas oito anos, com o vice-campeonato de 1998 marcado pela convulsão de Ronaldo. Já entre o pentacampeonato e a atual Copa do Mundo, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, passaram-se 24 anos.

A nova caminhada rumo ao hexa começou sem brilho, com o empate por 1 a 1 diante do Marrocos. Em caso de eliminação, o torcedor poderá fazer uma associação nada agradável: seriam seis Copas do Mundo consecutivas, incluindo a goleada sofrida da Alemanha (7a1) e sem a conquista do título, um “hexa” que ninguém deseja comemorar.

Em 1982, a vitória sobre a Argentina e a expulsão de Maradona após agredir Batista levaram o torcedor brasileiro ao êxtase, coincidindo com o nome da loja na publicidade da mesma página. Porém, no jogo seguinte, a derrota para a Itália encerrou o sonho do tetracampeonato

O Brasil não conquistou a Copa da Espanha, em 1982. Porém, a Seleção de Telê Santana, com Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo e outros craques, é reverenciada como se tivesse levantado a taça. A derrota para a Itália ainda perturba a memória do torcedor brasileiro. Os gols de Paolo Rossi são revividos a cada quatro anos, da mesma forma que a vibração de Paulo Roberto Falcão ao marcar o gol de empate em 2 a 2, resultado que garantia a classificação brasileira.

No momento em que Paulo Roberto Falcão marcava o gol de empate em 2 a 2 contra a Itália, um acidente envolvendo um caminhão e um ônibus na Rua São Paulo. O coletivo tombou e invadiu o Bar do Amaral. Felizmente, ninguém ficou ferido

Assim como em 1950, diante do Uruguai, o Brasil jogava pelo empate. A Celeste uruguaia e a Azzurra italiana desfizeram, em épocas diferentes, o sonho verde-amarelo.

A Copa do Mundo é um período interessante porque vivemos a atualidade do futebol e, ao mesmo tempo, revisitamos a sua história. Entre tantos países, jogadores, estatísticas, vitórias e fracassos, o Arquivo Vivo procura manter acesa a memória da nossa cidade e da nossa gente.

Vander Luiz

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