O Arquivo Vivo traz recortes que resgatam curiosidades da Copa do Mundo registradas nas páginas do Jornal O Democrata. A primeira delas mostra a evolução dos meios de comunicação, porque hoje é fácil acompanhar todos os jogos. Em 2026, a novidade é a CazéTV, que transmite todas as partidas pelo YouTube, batendo de frente com as emissoras de TV aberta, principalmente a Rede Globo.

Nos anos 1950, o rádio foi soberano na transmissão dos jogos ao vivo. Foi assim no primeiro título mundial na Suécia (1958) e seguiu dessa forma no bicampeonato do Chile (1962) e NA Inglaterra (1966). A TV chegou ao Brasil em 18 de setembro de 1950, limitada às transmissões ao vivo em estúdio, sem condições técnicas para gravar programas e, muito menos, para levar aos telespectadores as emoções de uma partida disputada no exterior.

Em 1966, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou um projeto do governador autorizando o executivo estadual a comprar gravação (vídeo tape) dos amistosos da Seleção Brasileira na Europa e dos jogos da Copa da Inglaterra, para que as emissoras de televisão pudessem exibi-los em todo o país. O dinheiro arrecado com a publicidade deveria ser encaminhado ao Estado. O torcedor já conhecia o resultado pelos jornais e pelo rádio e, somente alguns dias depois, finalmente teria a oportunidade de assistir às partidas.

O governador Adhemar de Barros encaminhou o projeto à Assembleia Legislativa, mas seu sucessor, Laudo Natel, solicitou a retirada da proposta para estudos mais aprofundados, informou O Democrata de 23 de julho de 1966. O projeto também autorizou a aquisição de kinescopes, filmagem direta de um aparelho de TV durante os jogos.

A Copa do Mundo de 1970, no México, foi a primeira com transmissão ao vivo pela TV, ainda em preto e branco. Como os televisores custavam caro, surgiram os “tele-vizinhos”, pessoas que se reuniam na casa de parentes, amigos e, principalmente, vizinhos para acompanhar os jogos. Em São Roque, outra opção era ficar em frente à Casa Ponte, na Praça da Matriz, que deixava um aparelho ligado durante as partidas. Por sinal, esse hábito prosseguiu na década de 1980 para acompanhar outros programas, principalmente após a chegada das TVs em cores — ou “coloridas”, como era costume dizer.
SANTOS GANHOU DA SELEÇÃO FRANCESA: 6 a 1
Voltando um pouco mais no tempo, uma notícia para alegrar a torcida santista. Em 1930, durante a primeira Copa do Mundo, a Seleção da França retornava do Uruguai e fez uma parada no Porto de Santos, oportunidade em que disputou um amistoso contra o Santos. O Suplemento Semanal Ilustrado, editado no Rio de Janeiro e encartado semanalmente em O Democrata, destacou a vitória do time brasileiro. Isso mesmo: Santos 6 x 1 França, com quatro “goals” de Luiz Matoso, o Feitiço. Mário Seixas marcou os dois restantes.
Na Copa de 1930, a França venceu o México por 4 a 1 e perdeu para Argentina e Chile, ambos por 1 a 0. Feitiço e Athié seguramente estariam no Uruguai se não fosse uma briga entre dirigentes paulistas e cariocas. Os dirigentes franceses ficaram indignados e disseram que haviam sido convidados para enfrentar um clube, mas encontraram uma seleção brasileira em campo. O presidente do Santos precisou levá-los até a sede do clube para mostrar as fichas e as fotografias dos atletas santistas.
Em tempo, o goleiro Athié Jorge Coury nasceu em Itu, elegeu-se vereador em Santos, deputado estadual e deputado federal. Foi o presidente do Santos que permaneceu por mais tempo no cargo (1945/1971) e conquistou o maior número de títulos, incluindo duas Copas Libertadores e dois Mundiais Interclubes (1962 e 1963), na Era Pelé.
Vander Luiz


