Uma pesquisa publicada na revista científica Molecular Psychiatry identificou uma associação entre níveis elevados de glicose no sangue e um envelhecimento cerebral mais acelerado. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Jilin e da Universidade Médica da China, que utilizaram inteligência artificial para estimar a idade biológica do cérebro de milhares de participantes.

A análise apontou que pessoas com maior concentração de glicose apresentavam cérebros biologicamente mais envelhecidos em comparação com sua idade cronológica.
Pesquisa utilizou dados do UK Biobank
Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram informações do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados médicos do mundo. O conjunto de dados incluiu exames de ressonância magnética, informações genéticas e indicadores metabólicos.
Com o auxílio de modelos de aprendizado de máquina, os pesquisadores estimaram a idade biológica cerebral dos participantes e compararam esses resultados com diferentes marcadores presentes no sangue.
Glicose apresentou a associação mais forte
Durante o estudo, foram identificados nove metabólitos relacionados ao envelhecimento cerebral. Entre eles, a glicose foi o fator que apresentou a associação mais forte.
Segundo os autores, indivíduos com níveis mais elevados de açúcar circulando no sangue tendiam a apresentar uma condição conhecida como brain age gap, quando a idade biológica do cérebro supera a idade cronológica da pessoa.
Alterações podem surgir antes de sintomas cognitivos
De acordo com informações divulgadas pelo neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, membro do CPAH (Centro de Pesquisas e Análise Heráclito), os resultados reforçam a importância da saúde metabólica para a preservação da função cerebral.
O estudo também destaca que alterações relacionadas ao envelhecimento cerebral podem ocorrer anos antes do surgimento de doenças neurodegenerativas ou de perdas cognitivas perceptíveis. A combinação de exames de imagem, análises metabólicas e inteligência artificial permitiu identificar sinais precoces desse processo.
Pesquisa aponta associação, não causalidade
Os pesquisadores ressaltam que os resultados demonstram uma associação consistente entre glicose elevada e envelhecimento cerebral acelerado. No entanto, os dados não indicam que todas as pessoas com níveis elevados de glicose desenvolverão doenças neurológicas.
A investigação sugere que o controle de fatores metabólicos pode ter relevância para estratégias futuras de prevenção e monitoramento da saúde cerebral.
Hábitos saudáveis seguem como recomendação
Os autores destacam que compreender os fatores relacionados ao envelhecimento cerebral pode contribuir para o desenvolvimento de medidas voltadas à preservação das funções cognitivas ao longo da vida.
Entre as práticas citadas estão a manutenção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o acompanhamento médico e o controle de doenças metabólicas, além da atenção a níveis persistentemente elevados de glicose no sangue.


