Durante a pandemia, havia uma verdade oficial. Quem ousasse fazer perguntas era chamado de negacionista, conspiracionista, irresponsável ou qualquer outro rótulo conveniente. O debate morreu antes mesmo de nascer.
Agora, alguns dos protagonistas daquele período voltam aos holofotes. Anthony Fauci voltou a depor no Congresso americano. Velhas decisões estão sendo reexaminadas. O distanciamento de dois metros, tratado durante anos como dogma científico, hoje é reconhecido como uma recomendação sem base sólida claramente demonstrada. A hipótese do vazamento de laboratório, antes tratada como heresia, passou a ser considerada uma possibilidade legítima. Perguntas que eram proibidas passaram a ser permitidas.
Curioso como a ciência, quando é ciência de verdade, admite dúvidas. Já o poder raramente faz o mesmo.
Ninguém discute que a pandemia foi uma tragédia. Milhões morreram e profissionais da saúde fizeram um trabalho heroico. Mas isso não transforma autoridades públicas em seres infalíveis nem torna suas decisões imunes ao escrutínio.
O problema nunca foi confiar na ciência. O problema foi transformar cientistas em sacerdotes, governos em donos da verdade e qualquer voz discordante em inimiga da sociedade.
Hoje, muitos fingem que sempre defenderam o debate. Não defenderam. Defenderam censura, coerção moral e a ideia de que questionar era um pecado.
Errar faz parte da ciência. Esconder erros, ridicularizar críticos e tratar dúvidas como crime faz parte da política.
Que a maior lição da pandemia não seja apenas sobre vírus ou vacinas. Que seja sobre humildade. Porque governos erram. Especialistas erram. A imprensa erra. E quando todos erram ao mesmo tempo, quem paga a conta é sempre o cidadão comum.
Da próxima vez que disserem que “o consenso está encerrado”, talvez a pergunta mais científica seja justamente a mais simples: será mesmo?
Redação.


