Há tradições que atravessam gerações e acabam se confundindo com a própria história de uma cidade. Festa de Agosto é assim. Todos os anos, reúne famílias, amigos, moradores antigos e gente que chega de longe movida pela devoção, pelo costume ou simplesmente pelo desejo de participar.
Tradição não é necessariamente fazer tudo como sempre foi e também não pode abandonar aquilo que é fundamental até aqui.
Entre preservar e renovar existe um caminho difícil, que exige sensibilidade para entender que a memória de uma povo não pertence a um grupo, a uma comissão ou a uma geração. Ela pertence a todos.
É natural que quem cresceu frequentando a festa queira reconhecer nela aquilo que guarda na lembrança. Da mesma forma, é legítimo que quem organiza, trabalha e participa da construção do evento queira servir da melhor forma possível.
No fim, talvez a pergunta mais importante não seja se a festa deste ano foi melhor ou pior. Nem se as mudanças foram certas ou erradas. A pergunta é outra: o que precisa permanecer para que, daqui a muitos anos, nossos filhos e netos ainda reconheçam nessa festa um desejo de estar com Deus?
E talvez a resposta esteja justamente naquilo que não mudou.
A fé.
Porque podem mudar os formatos, os horários, a organização, os espaços e até a maneira como as pessoas participam. Podem surgir elogios e críticas, saudades e novidades. Mas, quando uma comunidade continua se reunindo por aquilo em que acredita, há algo maior que permanece.
A festa pode mudar. São Roque pode mudar. Os tempos certamente mudarão.
Mas a fé permanece.
Redação.


