Adolescentes no Reino Unido demonstram resistência à proposta do governo britânico de restringir o uso de redes sociais para menores de 16 anos, medida semelhante à adotada recentemente na Austrália. Apesar de reconhecerem os riscos das plataformas digitais, muitos jovens afirmam que uma proibição não seria a solução.

Segundo reportagem da Reuters, o governo britânico abriu uma consulta pública — que segue até maio — para discutir possíveis restrições ao acesso de crianças e adolescentes às redes sociais. A iniciativa surge após preocupações crescentes sobre impactos na saúde mental e exposição a conteúdos prejudiciais.
Estudantes de 16 a 18 anos de uma escola no sul de Londres disseram que aplicativos como Snapchat, Instagram e TikTok são importantes para socializar, fazer novas conexões e se informar sobre o mundo. Ao mesmo tempo, reconheceram que o uso excessivo pode trazer efeitos negativos.
Alguns jovens relataram passar várias horas por dia nas plataformas. Um estudante de 17 anos afirmou que já chegou a passar cerca de oito horas por dia no TikTok durante as férias de verão, embora hoje utilize o aplicativo por cerca de três a quatro horas diárias.
Os adolescentes também apontaram problemas como conteúdos negativos, pressão estética, cyberbullying e cansaço mental. Uma estudante disse que ver constantemente padrões de aparência nas redes pode afetar a autoestima de muitas pessoas.
As empresas responsáveis pelas plataformas afirmam possuir ferramentas de segurança para adolescentes. O Snapchat destaca que contas de usuários entre 13 e 17 anos são privadas por padrão. O Instagram oferece controle de conteúdo sensível e ferramentas de supervisão para pais. Já o TikTok afirma que contas de adolescentes possuem limite automático de 60 minutos diários e avisos para encerrar o uso após as 22h.
Mesmo assim, muitos jovens disseram conseguir contornar essas restrições.
Apesar das preocupações, a maioria dos estudantes entrevistados pela Reuters se mostrou contrária à proibição. Alguns afirmam que usam as redes para manter contato com familiares no exterior, enquanto outros dizem que um bloqueio poderia levar adolescentes a buscar plataformas menos seguras ou até recorrer a VPNs para burlar as regras.
Especialistas também questionam a eficácia de um banimento. Pesquisadores que aconselham parlamentares britânicos afirmam que não há evidências claras de que proibições funcionem. Dados do setor indicam que cerca de um quinto dos adolescentes australianos com menos de 16 anos continuava usando redes sociais dois meses após a adoção da medida no país.
Especialistas defendem que a prioridade deveria ser pressionar empresas de tecnologia a desenvolver plataformas mais seguras, já que os algoritmos são projetados para prender a atenção dos usuários e podem direcionar jovens a conteúdos nocivos.
O debate sobre o uso de redes sociais por crianças e adolescentes tem ganhado força em diversos países e envolve temas como saúde mental, segurança digital e o papel das grandes empresas de tecnologia na proteção de usuários mais jovens.

