Aliados dos Estados Unidos, como Japão e Austrália, não planejam enviar navios de guerra para ajudar a reabrir e proteger o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. As informações foram divulgadas pela agência internacional de notícias Reuters.

O pedido foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defende a formação de uma coalizão internacional para garantir a segurança da passagem marítima, por onde circula cerca de 20% da energia mundial.
Segundo a Reuters, a solicitação ocorre em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já chega à terceira semana e tem provocado instabilidade no Oriente Médio e impacto nos mercados globais de energia.
Durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, no trajeto entre a Flórida e Washington, Trump afirmou que países que dependem do petróleo da região deveriam assumir a responsabilidade de proteger a rota.
“Estou exigindo que esses países venham proteger seu próprio território, porque é de lá que vem a energia deles”, afirmou o presidente.
Trump disse que seu governo já entrou em contato com sete países, mas não revelou quais seriam. Em uma publicação nas redes sociais no fim de semana, ele citou possíveis participantes da coalizão, entre eles China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.
Japão e Austrália descartam envio de navios
Apesar do pedido, autoridades japonesas e australianas indicaram que não pretendem enviar embarcações militares para a região.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou no parlamento que o país ainda analisa quais ações poderia tomar dentro de seu marco legal. A Constituição japonesa limita o envio de forças militares para operações no exterior.
Segundo Takaichi, cerca de 95% do petróleo consumido pelo Japão vem do Oriente Médio, o que torna a situação no Estreito de Ormuz estratégica para o país.
“Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Estamos analisando o que o Japão pode fazer de forma independente dentro do quadro legal”, declarou.
A Austrália também indicou que não pretende participar da operação naval. Catherine King, integrante do gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese, afirmou à emissora pública ABC que o país não foi solicitado oficialmente a contribuir com a iniciativa.
Mercados acompanham tensão no Oriente Médio
A tensão na região também teve reflexos nos mercados internacionais. De acordo com a Reuters, o petróleo Brent subiu mais de 1%, superando US$ 104,50 por barril, enquanto bolsas asiáticas apresentaram queda moderada.
Investidores seguem atentos ao risco de que instalações petrolíferas no Oriente Médio sejam afetadas pelo conflito e a possíveis interrupções no fluxo de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz.
A passagem marítima é considerada uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta, conectando grandes produtores do Golfo Pérsico aos mercados internacionais.

