Em menos de dez dias, o país foi confrontado com uma sequência brutal de crimes: uma menor vítima de estupro coletivo, uma freira de 82 anos violentada e morta, e uma mulher de 71 anos atacada dentro de um ônibus por quem deveria transportá-la em segurança. Três casos, três histórias distintas, um mesmo retrato incômodo: a violência contra mulheres continua avançando enquanto o debate público insiste em fugir do essencial.
A reação imediata, como sempre, é procurar culpados convenientes. Apontam-se redes sociais, discursos de internet ou qualquer elemento abstrato que sirva de explicação rápida para um problema complexo.
A realidade é que crimes dessa natureza não acontecem por causa de um post. Eles acontecem quando criminosos acreditam que podem agir e escapar. Quando o medo da punição deixa de ser um freio. Quando o Estado falha em proteger quem deveria ser protegido.
Há ainda outro problema: a facilidade com que tragédias são transformadas em argumentos ideológicos ou em batalhas de narrativa. No meio desse ruído, as vítimas desaparecem do debate e o foco passa a ser quem vence a disputa de versões.
Enquanto isso, os fatos permanecem teimosamente os mesmos: mulheres continuam sendo atacadas em espaços públicos, em transportes, em ruas movimentadas, em lugares onde deveriam estar seguras.
O país precisa decidir se quer enfrentar esse problema de verdade ou continuar procurando culpados simbólicos. Porque violência não se combate com slogans. Combate-se com policiais presentes e aplicação de leis firmes.
Todo o resto é distração.
Redação.

