O uso contínuo de medicamentos para redução da acidez gástrica, como o omeprazol, pode interferir na absorção de minerais essenciais pelo organismo. É o que indica um estudo experimental que avaliou os efeitos da administração prolongada de inibidores da bomba de prótons (IBPs) sobre a disponibilidade de nutrientes minerais em um modelo animal.
A pesquisa analisou a bioatividade de elementos como ferro (Fe), cálcio (Ca), zinco (Zn), magnésio (Mg), cobre (Cu) e potássio (K), todos fundamentais para o funcionamento adequado do organismo. O objetivo foi verificar se o uso contínuo do omeprazol poderia provocar alterações fisiológicas, bioquímicas e hematológicas relacionadas à absorção desses nutrientes.
Como o estudo foi realizado
O experimento utilizou ratos divididos em dois grupos: um grupo controle e outro tratado com omeprazol. Os animais submetidos ao medicamento foram avaliados em três períodos distintos de uso contínuo — 10, 30 e 60 dias. Ao final de cada intervalo, os pesquisadores coletaram amostras de sangue e órgãos para análise.
Os parâmetros avaliados incluíram dados fisiológicos, exames bioquímicos e hematológicos. Para a quantificação dos minerais nos tecidos e no sangue, foi empregada a técnica de espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), método amplamente utilizado para análise elemental de alta precisão.
Principais resultados observados
Os dados revelaram alterações em marcadores hematológicos importantes. Houve redução no número de glóbulos vermelhos, nos níveis de hemoglobina e no hematócrito. Também foram observadas mudanças nos índices hematimétricos e na contagem de leucócitos ao longo do período de tratamento.
A análise dos minerais indicou desequilíbrios principalmente nos níveis de ferro, cobre e cálcio, tanto no sangue quanto nos órgãos analisados. Esses resultados sugerem que o uso prolongado do omeprazol pode comprometer a disponibilidade desses elementos no organismo.
Importância do tema
Os inibidores da bomba de prótons estão entre os medicamentos mais prescritos no mundo, utilizados no tratamento de condições como refluxo gastroesofágico, gastrite e úlceras. Diante da ampla utilização desses fármacos, os achados reforçam a relevância de investigar possíveis efeitos associados ao uso contínuo.
O estudo destaca que alterações na absorção de minerais podem estar relacionadas a condições como anemia microcítica e distúrbios ligados à absorção óssea, conforme observado nos parâmetros analisados. Os autores ressaltam a necessidade de novas pesquisas para aprofundar o entendimento sobre as consequências nutricionais do uso prolongado de IBPs.
Embora os resultados sejam baseados em um modelo animal, eles contribuem para o debate científico sobre a segurança do uso contínuo desses medicamentos e a importância do acompanhamento adequado em tratamentos de longa duração.

