A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (12) a Operação Castratio para investigar suspeitas de fraudes em licitações ligadas a contratos da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro (SEAPA). Entre os alvos da ação estão endereços nas cidades paulistas de São Roque e Mairinque.

Segundo a PF, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em municípios do Rio de Janeiro — Itaocara, Macaé, Niterói e capital — além de São Roque e Mairinque, no interior de São Paulo.
De acordo com a investigação, as supostas irregularidades envolvem contratos que podem chegar a R$ 200 milhões. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação e lavagem de dinheiro.
Mandados em São Roque e Mairinque
Conforme informações divulgadas pelo g1, em São Roque a operação teve como alvo a residência do veterinário e empresário Ricardo de Almeida Souza. Já em Mairinque, os agentes estiveram em uma clínica vinculada ao empresário.
Ainda segundo a reportagem, durante as diligências foram apreendidos dinheiro e joias.
Deputado Federal é alvo da investigação
O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB), ex-secretário estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, também é alvo da operação. Segundo o g1, ele foi abordado pela Polícia Federal no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, quando embarcaria para Brasília, e teve o celular apreendido.
Em nota divulgada à imprensa, a defesa do parlamentar afirmou que as alegações são “infundadas” e declarou que ele permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Empresa investigada foi criada meses antes dos contratos
As apurações citadas pelo g1 indicam que a empresa Consuvet, vencedora da licitação investigada, teria sido criada apenas três meses antes da assinatura dos contratos milionários.
Reportagens do RJ2, da TV Globo, apontaram ainda suspeitas de superfaturamento e direcionamento no processo licitatório, além de indícios levantados anteriormente pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Segundo as investigações mencionadas pelo portal, Antônio Emílio Santos, então diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Agricultura, autorizou a abertura da licitação e posteriormente tornou-se sócio da empresa contratada.
Relatórios de inteligência financeira apontaram que Antônio teria recebido R$ 888 mil da empresa em oito meses. As autoridades também investigam movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo um saque superior a R$ 700 mil realizado em dezembro de 2023.
As suspeitas incluem ainda a apresentação de um comprovante de capacidade técnica emitido antes mesmo da criação formal da empresa, além da obtenção do registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária somente após a assinatura do contrato.
As informações sobre a operação e os mandados foram divulgadas pela Polícia Federal. Já os detalhes complementares sobre os investigados e os contratos foram publicados pelo g1 e pelo RJ2, da TV Globo.

