A longa batalha pelo acesso de São Roque à Castello Branco – Jornal O Democrata

O acesso de São Roque à Rodovia Castello Branco, oficialmente denominada Rodovia Lívio Tagliassachi, é uma das obras mais importantes da história do município. Seus benefícios ultrapassaram os limites da cidade, favorecendo toda a região. Sob o ponto de vista político, poucos empreendimentos tiveram tanta relevância para prefeitos e vereadores quanto essa ligação viária. Mais um capítulo dessa longa história foi escrito nesta quarta-feira (1º de julho), com a visita do governador Tarcísio de Freitas para a entrega parcial da duplicação do acesso.

Aprovação de novos recursos para a conclusão da obra. O prefeito Mário Luiz Campos de Oliveira negocia com o superintendente do DER, engenheiro José Benedicto Pompeu de Jesus, durante visita do vice-governador Almino Affonso ao acesso. Jornal O Democrata, 18/07/1987

Desde a inauguração da Rodovia Castello Branco, em 10 de novembro de 1968, São Roque iniciou uma longa luta pela construção do acesso, contava apenas com a Velha Estrada de Araçariguama. Ao longo de quase duas décadas, o Jornal O Democrata registra as reivindicações dos prefeitos Henrique Luiz Arnóbio, Jarbas de Moraes, Quintino de Lima, Antonio Carlos Moya de Oliveira e Mário Luiz Campos de Oliveira. Na época, sequer se falava em pista dupla. Anos depois surgiu a reivindicação pela duplicação — então chamada de alargamento da pista —, obra que, finalmente, está próxima da conclusão.

As linhas de ônibus foram autorizadas somente após a inauguração do acesso. Antes disso, as empresas Viação Cometa e Nossa Senhora da Ponte estudavam alterar alguns horários em razão da redução do tempo de viagem
As previsões de inauguração para setembro e, posteriormente, dezembro de 1987 não se confirmaram

Entre promessas de campanha, anúncios de governadores, secretários dos Transportes e deputados, a autorização definitiva somente veio em 15 de dezembro de 1985, quando o governador Franco Montoro recebeu uma comitiva liderada pelo prefeito Mário Luiz Campos de Oliveira e deu sinal verde para o início das obras.

Após a preparação da base da pista, a pavimentação começou em dezembro de 1987

Até a inauguração, em 9 de janeiro de 1988, já no governo Orestes Quércia, o caminho esteve longe de ser tranquilo. Um dos momentos mais delicados ocorreu quando o projeto original foi alterado e a ligação deixou de ser classificada como rodovia para ser considerada uma estrada vicinal — via destinada principalmente ao tráfego local e ao acesso às propriedades rurais, com padrão técnico mais simples e menor capacidade de circulação. Apesar da redução de custo, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) tinha problema de caixa.

Finalmente, o acesso à Rodovia Castello Branco foi inaugurado em 9 de janeiro de 1988. Jornal O Democrata, 31/12/1987

O Arquivo Vivo resgata parte dessas idas e vindas e mostra que o acesso à Castello Branco é conjunto de obras e negociações políticas com nem todos puxando a corda do mesmo lado. Entre elas estavam a necessidade de uma ligação com a Rodovia Raposo Tavares, concretizada com a inauguração da Via de Ligação (VL), extraoficialmente conhecida como Avenida Marmeleiro e, posteriormente, denominada Avenida Prefeito Bernardino de Lucca, além da abertura de uma segunda pista no final da Avenida Brasil, que ganhou o nome de Avenida Varanguera entre a Capela de Santa Quitéria e a antiga Fábrica Nacional de Ferramentas.

A escolha do nome da rodovia também foi marcada por uma disputa política. O prefeito Mário Luiz Campos de Oliveira defendia a denominação Rodovia Barão de Piratininga. Entretanto, o vereador Djalmo Rodrigues (PDS), integrante da oposição, antecipou-se e, com o apoio do deputado estadual Israel Zekcer, conseguiu aprovar o projeto que deu à rodovia o nome do ex-prefeito Lívio Tagliasacchi. O PMDB de São Roque ainda tentou reverter a decisão, inclusive recorrendo ao governador Orestes Quércia, mas sem sucesso e seria algo deselegante. Curiosamente, a homenagem foi oficializada com um erro de grafia no sobrenome do homenageado. O correto é Tagliasacchi, com um “s” e dois “c”.

Vander Luiz

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