A cada ano que passa, a Revolução Constitucionalista de 1932 vai perdendo espaço na memória das novas gerações. Filhos e netos de ex-combatentes ainda guardam lembranças das histórias contadas em família e até mesmo objetos históricos, como armas, cantis e o lendário capacete de aço.

A revolução ganhou força a partir de 23 de maio de 1932, quando uma manifestação contra o governo provisório de Getúlio Vargas terminou em confronto com forças governistas. Morreram os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, que se tornaram símbolos do movimento. Das iniciais de seus sobrenomes nasceu a sigla MMDC. Um quinto estudante, Orlando Alvarenga, também foi baleado naquele episódio, mas faleceu em 12 de agosto de 1932, quando a sigla já havia sido criada.

Em 9 de julho, São Paulo levantou-se em armas contra o governo de Getúlio Vargas com o objetivo de exigir uma nova Constituição. Desde a Revolução de 1930, Vargas governava provisoriamente, havia decretado o fechamento das casas legislativas e substituído governadores e prefeitos eleitos por interventores nomeados pelo governo federal.

Até 2 de outubro, os combates se estenderam por diversas frentes, principalmente no Vale do Paraíba, sul de Minas Gerais e divisa com o Paraná. Durante 85 dias, apesar da grande mobilização popular, São Paulo permaneceu praticamente isolado, sem o apoio militar esperado de outros estados.

O povo paulista sofreu a derrota militar, mas conquistou uma importante vitória política. No ano seguinte foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte e, em 16 de julho de 1934, foi promulgada a nova Constituição, atendendo à principal reivindicação do movimento constitucionalista.

O Arquivo Vivo faz essa breve contextualização histórica para resgatar a importância da Revolução de 1932 e seu grande impacto na imprensa. Pela primeira vez no Brasil, o rádio teve participação decisiva em um movimento revolucionário, especialmente por meio das transmissões da Rádio Record, que tinham como principal voz o locutor César Ladeira.
Os jornais estampavam manchetes em letras garrafais, com reportagens que ocupavam toda a primeira página e prosseguiam nas páginas internas. Durante todo o conflito, o Jornal O Democrata dedicou sua capa aos acontecimentos, repetindo semanalmente a manchete: “São Paulo em armas pelo Brasil unido!”
A exemplo de inúmeros municípios paulistas, São Roque deu significativa contribuição ao movimento. Na edição de 17 de julho de 1932, O Democrata publicou a ata da primeira reunião da Comissão de Alistamento do Voluntariado Civil do Município de São Roque, realizada no dia 12 daquele mês.
O encontro aconteceu na sede da Prefeitura Municipal e reuniu o prefeito Ismael de Campos, o delegado Fernando Braga Pereira Rocha, Euclides de Oliveira, Argeu Villaça, Bernardino de Lucca, Heitor Boccato (diretor-gerente de O Democrata), Ozório Mário dos Santos (tabelião), José Pedro de Araújo Netto (advogado), João Gabriel (médico) e os comerciantes Reinaldo Verani e Antonino Dias Bastos (Nino).
Semanalmente eram publicadas informações sobre os voluntários que seguiam para as trincheiras, além das inúmeras campanhas destinadas à arrecadação de recursos e alimentos para suas famílias e ao envio de suprimentos para outras regiões do Estado.
Outro grande destaque foi a campanha “Ouro para São Paulo”, quando milhares de paulistas doaram objetos de elevado valor financeiro e sentimental, como alianças, joias e outras peças de família, transformando a solidariedade em um dos maiores símbolos da Revolução Constitucionalista.
Vander Luiz


