Astrônomos identificaram novas pistas sobre a origem do cometa interestelar 3I/ATLAS após analisarem sua composição com o radiotelescópio ALMA, no Chile. O objeto, um dos poucos já observados atravessando o Sistema Solar, apresentou níveis incomuns de deutério — um isótopo de hidrogênio — em sua água.
Segundo estudo publicado na revista Nature Astronomy, a abundância de água deuterada no cometa é mais de 40 vezes superior à encontrada nos oceanos da Terra e mais de 30 vezes maior do que em cometas do Sistema Solar. Essa característica indica que o 3I/ATLAS se formou em um ambiente extremamente frio, com temperaturas abaixo de 30 Kelvin (cerca de -243 °C), possivelmente nas regiões externas de um disco protoplanetário.
Os dados sugerem ainda que o cometa pode ter até 11 bilhões de anos, sendo significativamente mais antigo que o Sol. A presença elevada de deutério funciona como um marcador químico das condições do local onde o objeto se formou, oferecendo informações sobre os processos de formação planetária em outras partes da galáxia.
A observação foi possível porque o ALMA detecta ondas de rádio, permitindo estudar gases liberados pelo cometa quando ele se aproximou do Sol. Apesar de não ter sido detectada água comum (H₂O), a identificação de água deuterada revelou um perfil químico incomum.
Pesquisadores destacam que objetos interestelares como o 3I/ATLAS funcionam como “cápsulas do tempo”, preservando materiais de sistemas planetários distantes e antigos. A expectativa é que novos observatórios ampliem a detecção desses corpos, permitindo comparar suas composições e aprofundar o entendimento sobre a evolução da Via Láctea.
Com informações da CNN.

