CPI do Master é uma iniciativa genial! – O Democrata

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito deveria ser instrumento de esclarecimento, não palanque para exibicionismo político. A CPI do Banco Master, instalada na Câmara de Vereadores, nasceu com propósito legítimo de investigar o que aconteceu com recursos de aposentados e pensionistas. Mas basta assistir às primeiras sessões para perceber que boa parte dos vereadores está mais interessada em marcar posição ideológica do que em descobrir a verdade. Talvez, por isso, haja tanto desinteresse da população.

A questão é simples e incômoda porque alguém desviou dinheiro público. Estamos diante de uma cadeia de incompetências que se acumularam até o colapso ou tudo isso aconteceu graças à uma mente criminosa e uma rede de beneficiados? Essas perguntas exigem investigação técnica, paciente e, sobretudo, humilde. Humildade para admitir que o caso é complexo, que envolve falhas do Banco Central, das agências de rating, da legislação previdenciária local e, sim, possivelmente de gestores irresponsáveis ou corruptos. Mas humildade não gera manchete. Não produz o momento viral que alimenta a vaidade política.

O que vemos, então, são vereadores chegando às sessões já convictos de quem são os culpados — coincidentemente, sempre aqueles que se alinham ao campo político oposto. As perguntas não buscam esclarecer; buscam confirmar narrativas pré-estabelecidas. Os interrogatórios não investigam; acusam. E quando a acusação substitui a apuração, o que temos não é Comissão Parlamentar de Inquérito, mas tribunal de exceção montado para fins eleitorais.

Se realmente houve dolo, se alguém se beneficiou ilicitamente, que seja punido com todo rigor da lei. Mas para isso é preciso seguir o dinheiro, não o roteiro político. É preciso ouvir especialistas, analisar documentos, cruzar informações. É trabalho de formiga, ingrato e desprovido de glamour. Não produz o vídeo de impacto para as redes social e não garante votos na próxima eleição. Por isso, muitos preferem o atalho: já chegam com o veredicto pronto e usam a CPI apenas para legitimá-lo publicamente.

Enquanto isso, os verdadeiros prejudicados (e, pelo visto, somente eles) assistem ao espetáculo sem perceberem as respostas que são evidentes. Já está evidente quem falhou e como evitar que se repita, todavia isso não interessa a quem está mais preocupado em construir capital político do que em exercer o mandato com seriedade.

A CPI do Banco Master ainda pode ser um marco de transparência e responsabilização se pessoas sérias tiverem a capacidade de entender o que já foi dito. Infelizmente, corre o risco de se tornar apenas mais um episódio de muito barulho, muita acusação, pouca investigação e nenhuma resposta concreta. Os verea­dores que transformaram a comissão em palanque fazem desserviço às vítimas do caso e à própria instituição que deveriam defender. Mais ainda, a continuarem por esse caminho, dificilmente descobrirão se houve crime e nem quem é culpado.

Resta saber se algum deles terá a grandeza de colocar o interesse público acima da própria ambição. A resposta já parece dada antes mesmo do fim dos trabalhos. Oxalá, esteja enganado.

Redação.

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