Em 1966, comércio tradicional, obras aguardadas e falta de chuva – Jornal O Democrata

Em um mundo tão dinâmico e globalizado, a realidade pode mudar de uma hora para outra. Imagine, então, em 60 anos. Em seis edições, entre 11 de setembro e 16 de outubro, utilizarei a coluna Arquivo Vivo para reviver alguns fatos de São Roque e região ocorridos nas semanas que antecederam o meu nascimento, em 16 de outubro de 1966. É um privilégio ter acesso ao centenário arquivo do Jornal O Democrata para realizar esta viagem no tempo. Sim, a escolha tem uma motivação pessoal, mas ao mesmo tempo permite reconstruir um cenário de seis décadas atrás que talvez ajude a compreender como era a vida naquele período e, inevitavelmente, provoque comparações com os dias atuais.

Em 1966, prefeito Rino Boccato confirma encontro com o governador Laudo Natel para discutir os principais problemas de São Roque

O Jornal O Democrata, na edição de 17 de setembro de 1966, publica anúncios de casas comerciais que marcaram época em São Roque. Destaque para a Casa Lessa, “especialista em miudezas” e que vendia de tudo: armarinhos, perfumaria, papelaria, brinquedos e novidades. A loja era forte na venda de instrumentos musicais. Tanto que o anúncio daquele sábado, repetido em várias edições, trouxe a imagem de um violão. Vale lembrar que, naquela época, a publicação de fotografias nos jornais era complicada porque envolvia o custo de produção do clichê, uma espécie de carimbo, geralmente de zinco, com a imagem em relevo para impressão. São Roque não tinha clicheria e normalmente era preciso procurar o serviço em Sorocaba ou São Paulo. A Casa Lessa ficava na Rua Dr. Stevaux, 161. Vendia violões, violas, cavaquinhos, pandeiros, cordas para instrumentos, artigos para pesca, alimentos para aves, inseticidas e sementes de hortaliças e flores.

Casa Lessa uma das lojas mais tradicionais de São Roque: “vendia de tudo”

Em 1966, o comércio de São Roque contava também com a Casa das Novidades (Avenida Tiradentes, 48), que se destacava por oferecer molduras para quadros. O anúncio informava: “Montagem de quadros em geral e recebemos bonitas estampas para quadro”. Por sua vez, a Serralheria e Vidraçaria Rana, de Francesco Rana (Rua Dr. Stevaux, 247), fazia caixilhos, vitrais, portas, portões e grades, além de fornecer vidros para obras e fazer colocações em domicílio.

Em 1966, Serralheria e Vidraçaria Rana ainda na Dr. Stevaux; depois mudaria para a rua Pedro Vaz

A Construtora Elo (Avenida 3 de Maio, 252) anunciava uma novidade: “Já chegou! Já chegou Silentoque, o novo interruptor de luz, silencioso, prático e durável. É um produto Pial”. A Pial seria adquirida pelo Grupo Legrand em 1977. A Construtora Elo tinha entre os sócios o engenheiro Mário Luiz Campos de Oliveira, Zito Garcia e Sinésio de Paula Santos. A empresa foi responsável por várias obras particulares e públicas, entre elas a Avenida Antonino Dias Bastos.

Construtora Elo realizou importantes obras particulares e públicas na década de 1960

No noticiário político, o colunista Lécio (Élcio Roque Boccato) confirmava a audiência de representantes de São Roque com o governador Laudo Natel. O encontro ficou acertado para 13 de setembro, em Itapetininga, quando o governador transferiu simbolicamente a sede do governo paulista para a cidade do interior e recebeu lideranças regionais. São Roque foi representada pelo vice-prefeito Jarbas de Moraes e pelo presidente da Câmara, professor Luiz Antonio de Mello (Totó). Em 1966, o município reivindicava o término das obras no Grupo Escolar Bernardino de Campos; a construção da variante de acesso à Estrada D’Oeste, que receberia o nome de Rodovia Castello Branco; o saneamento do Rio Carambeí; a urbanização da Avenida Marginal, futura Avenida Antonino Dias Bastos; e um empréstimo para a melhoria da frota de máquinas da Prefeitura.

Em 1966, Prefeito Rino Boccato abre concorrência pública para a compra de tijolo para a escola no Bairro do Taboão (futura Escola Germano Negrini)

A Prefeitura de São Roque abria concorrência para “a compra de 60 mil tijolos de primeira qualidade”, destinados à construção de uma escola com duas salas de aula e sanitários no Bairro do Taboão. Era o início da construção da Escola Germano Negrini. Na Câmara Municipal de Mairinque, na sessão de 3 de setembro, os vereadores aprovaram, em primeira discussão, o Projeto de Lei nº 7/1966, de autoria do prefeito João Chesine, autorizando a Companhia Telefônica Brasileira a majorar as tarifas. Na mesma sessão, foi criada uma comissão para pleitear junto à Companhia Telefônica Brasileira a ampliação da rede e o retorno do centro telefônico da cidade. A comissão era composta pelos vereadores Geraldo Pinto do Amaral, Benedito Pereira da Silva e João Loureiro Miranda.

Em 2026, vivemos dias de frio e muita chuva. Em 1966, O Democrata informava que o período era de estiagem e falta de água. “Seca bastante acentuada e desperdício são as causas principais de falta de água transtorno que vem aborrecendo todos nós nestes últimos dias. Fazer chover é difícil, porém é fácil colaborar na campanha contra o desperdício do precioso líquido. É só tentar corrigindo vazamentos, não lavando veículos nas vias públicas, etc…

Vander Luiz

Jornal O Democrata São Roque

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