Motoristas de caminhão no Brasil discutem a possibilidade de iniciar uma nova greve já nesta semana, após a forte alta no preço do diesel registrada nas últimas semanas.

Sindicatos da categoria afirmam que o aumento do combustível tem pressionado os profissionais do transporte rodoviário. De acordo com dados da empresa de pagamentos ValeCard, o preço médio do diesel S-10 — o tipo mais utilizado no país — subiu cerca de 19% desde 28 de fevereiro.
A elevação ocorre no contexto do conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que impulsionou os preços do petróleo no mercado internacional.
Wallace Landim, presidente da associação de caminhoneiros Abrava, afirmou que a paralisação pode começar ainda esta semana. Segundo ele, muitos motoristas consideram a situação atual semelhante à vivida em 2018, quando uma greve nacional de caminhoneiros paralisou o país por cerca de dez dias, com bloqueios em rodovias e impactos no abastecimento.
Para tentar reduzir o impacto do aumento do combustível, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na semana passada a retirada de impostos sobre o diesel. Além disso, a agência reguladora do petróleo iniciou uma operação para combater possíveis abusos nos preços dos combustíveis.
Apesar das medidas, representantes da categoria afirmam que os caminhoneiros estão no limite diante da alta nos custos e seguem discutindo a adesão a uma paralisação nacional.
Petrobras diz que não repassa volatilidade internacional e defende reajuste do diesel
A Petrobras (PETR3; PETR4) afirmou nesta terça-feira (17) que mantém uma política de preços baseada em “atuação responsável, equilibrada e transparente”, sem repassar automaticamente a volatilidade internacional ao mercado doméstico.
Segundo a estatal, o recente reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel A vendido às distribuidoras, anunciado no dia 14, está alinhado a essa estratégia. A companhia destacou que o último aumento havia ocorrido em fevereiro de 2024, enquanto a última redução foi registrada em maio de 2025.
A empresa informou ainda que, desde dezembro de 2022, o preço do diesel A acumula queda de R$ 0,84 por litro, equivalente a 29,6%, já considerada a inflação do período.
De acordo com a Petrobras, o impacto do reajuste ao consumidor foi reduzido pela zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel.
A estatal também comunicou que o Conselho de Administração aprovou a adesão a um programa de subvenção econômica, que prevê pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias, condicionado à regulamentação pela ANP. A companhia estima que a combinação entre reajuste e subvenção pode elevar em até R$ 0,70 por litro o valor recebido, sem repasse proporcional ao consumidor final.
Com informações da Reuters e InfoMoney.

